Marinho Neves colaborava com Dias da Cunha

Janeiro de 2007 - Marinho Neves, ex-jornalista e autor do livro ‘Golpe de Estádio’, que versa sobre a temática da corrupção no futebol português, revelou ontem ter trabalhado secretamente durante seis anos para o Sporting, tendo sido contratado em 2000 pelo antigo presidente Dias da Cunha, para o manter informado sobre os jogos de bastidores da modalidade. O tal ‘sistema’ de que tanto falou.

Durante a cerimónia de relançamento do livro, Marinho Neves explicou que a sua colaboração terminou quando Dias da Cunha se demitiu, “devido às guerras internas no clube, instigadas por pessoas que ainda lá estão”. Segundo fez saber, os relatórios confidenciais por si elaborados e destinados ao antigo presidente já estavam a chegar, em determinado momento, “a pessoas do Norte”.

Sem mencionar nomes, explicou como as coisas se passavam:

“Com duas semanas de antecedência, eu sabia quem eram os árbitros designados para certos jogos. Sabia também quais os jogadores do Sporting que iriam ser enervados pelos árbitros, no sentido de reagirem e assim acabarem expulsos, para enfraquecer a equipa. Fazia relatórios e enviava-os a Dias da Cunha. Mas essas informações acabavam por não chegar ao técnico José Peseiro, que assim não podia avisar antecipadamente os jogadores no sentido de não reagirem às provocações”.

O jornalista disse ainda que Dias da Cunha, com base na informação recolhida por ele, Marinho Neves, tentou a regeneração do futebol através de uma aliança com Luís Filipe Vieira, “mas logo aí houve anticorpos dentro do clube, contrários a essa aproximação”.

Confrontado com o teor destas afirmações, Miguel Salema Garção, director de Comunicação do Sporting, confirmou ter existido uma colaboração entre Marinho Neves e o clube e deu a conhecer a posição dos actuais dirigentes:

“O dr. Dias da Cunha sempre recebeu total solidariedade dos dirigentes que ainda estão no Sporting na sua luta pela regeneração do futebol português. O actual presidente entendeu cessar essa colaboração porque escolheu outras formas de lutar por essa regeneração, nomeadamente com uma participação activa na Direcção da Liga.”

Volvidos dez anos sobre a publicação do romance ‘Golpe de Estádio’, obra que relata práticas de corrupção no mundo do futebol, o jornalista Marinho Neves relançou ontem a obra e prometeu para breve um novo livro, agora não ficcionado.

“As práticas relatadas no ‘Golpe de Estádio’ estão mais actuais que nunca. Mas mal o processo ‘Apito Dourado’ saia do segredo de justiça, avanço com um livro, desta vez não ficcionado, sobre todo o processo, com nomes e factos”, revelou.

Sobre o ‘Apito Dourado’, Marinho Neves só diz, por agora, que “muitas pessoas vão ficar surpreendidas com os resultados. Toda a gente vê Pinto da Costa como o ‘monstro’, mas antes dele outros cairão”.Sobre o livro de Carolina Salgado, Neves diz que não precisou “de dormir com Pinto da Costa para saber mais sobre ele que a própria Carolina”.

Janeiro de 2007
Artigo publicado no Correio da Manhã
Fonte: Bancada Directa




Golpe de Estádio - Sempre actual

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Sinopse: Muito se tem falado de corrupção no futebol português… Mas pouca coisa tem vindo a público, oficialmente. Simples má-língua contra jogadores, árbitros e dirigentes de clubes? De modo nenhum. Alguma coisa há, de facto, de verdade, que importa denunciar, para que o futebol recupere a sua dignidade. O jornalista Marinho Neves tem investigado, com coragem, este problema tão explosivo e revela-nos aqui – sob forma romanceada – um vasto e sugestivo quadro dos modos e processos de tal corrupção em Portugal. É certo que, neste livro, tudo é ficção... mas, ao mesmo tempo, tudo é verdade. Esta obra não passa de um romance. Nenhuma das suas personagens tem existência real... mas cada uma delas corresponde à verdade da corrupção que temos instalada entre nós. E foi em toda esta realidade que se inspirou o autor. Assim ficção e realidade misturamse perfeitamente neste
romance que se transforma em denúncia. Corajosa denúncia de um jornalista da área
desportiva - que, acima de tudo, ama a sua profissão, o desporto e a verdade.