Luciano D'Onofrio, um velho conhecido
O atual vice-presidente executivo do Standard de Liége, Luciano D'Onofrio, figura central da investigação que levou hoje a polícia a buscas na SAD do FC Porto, é um velho conhecido do futebol português.
Em 1977/78 chegou a Portugal, ondicado por Norton de Matos, para jogar no Portimonense, após ter sido preso na Bélgica por tráfico de droga, destituído da nacionalidade belga e expulso do país, como cidadão estrangeiro, uma vez que passou a deter apenas a nacionalidade italiana.
Pouco depois, sofreu uma grave (tripla) fratura da perna, que forçou o fim da carreira, passando a negociar jogadores, os primeiros dos quais os seus compatriotas Cadorin e Alan. Esse primeiro negócio correu de feição, tanto mais que Cadorin, já falecido, chegou a Portimão e "partiu a loiça", suscitando o interesse do Sporting, que avançou para a sua contratação. No entanto, um acidente num churrasco causou-lhe graves queimaduras e o contrato foi anulado.
Essas transferências transformaram-no numa figura conhecida, chegando a ser convidado pelo antigo presidente do Sporting João Rocha para um sorteio das competições europeias, onde encontrou Pinto da Costa, com quem viria a estabelecer amizade, chegando a desempenhar funções no FC Porto como diretor do futebol. Nas Antas, Juary, Paulo Futre, Rui Barros, Demol, Sérgio Conceição, Folha, Moreira e Jorge Costa, além do treinador Tomislav Ivic, foram alguns dos muitos jogadores que transferiu do e para o FC Porto.
Esta parceria seria duradoura, apesar de alguns anos de afastamento, que lhe abriu as portas a negócios com os rivais Sporting (César Prates, André Cruz, M'Penza, Horvath e Vinícius) e Benfica (Michel Preud'Homme).
Em 1998, D'Onofrio comprou um endividado Standard, juntamente com o ex-presidente do Marselha, Robert Dreyfus, já falecido, assumindo as funções de vice-presidente executivo, apesar de, na prática, mandar.
Trouxe alguma estabilidade financeira ao Standard, o que lhe conferiu certa imunidade perante o assédio da justiça belga, continuando a intermediar transferências, apesar de lhe ter sido retirada a carteira de agente FIFA na sequência da condenação de que foi alvo por um tribunal de Marselha, França.
D'Onofrio foi condenado, no âmbito de um processo judicial interposto contra o Marselha, a seis meses de prisão efetiva (e multa de 357 mil euros) e proibido de exercer qualquer actividade ligada ao futebol durante cinco anos.
Há vários anos que está sob alçada da polícia de investigação de crimes financeiros na Bélgica, que já efetuou duas buscas no Standard, sem resultados, por suspeitas de crimes de branqueamento de capitais, fuga de impostos e de capitais para paraísos fiscais.
É no âmbito desta investigação que se inserem as buscas que a polícia judiciária efetuou à SAD portista para recolha de documentos relacionados com a empresa International Agency For Marketing, sediada num paraíso fiscal, tida nos meios futebolísticos belgas como propriedade de Luciano D'Onofrio.
24 fevereiro de 2010 - Record
Lavagem de dinheiro em vendas do FC Porto
Belgas suspeitam que empresário Luciano D’Onofrio se apoderou de comissões com contratos de direitos de imagem.
A SAD do FC Porto foi ontem alvo de buscas por parte da Polícia Judiciária do Porto, a pedido das autoridades belgas, em resposta a uma carta rogatória onde se investiga o empresário Luciano D’Onofrio e os negócios feitos com Pinto da Costa. É suspeito de fraude fiscal e branqueamento de capitais, na sequência de transferências de jogadores portistas, desde a década de 90. O esquema passava pelo pagamento de direitos de imagem que revertiam a favor do empresário.
Em causa estão as mudanças de Vítor Baía para o Barcelona, Sérgio Conceição para a Lázio e ainda Folha para o Standard de Liége. O empresário mediou os negócios milionários e ter-se-á apropriado indevidamente de grandes quantias de dinheiro, que ficaram por declarar. A investigação belga data de 1996 e agora as autoridades pediram a colaboração a Portugal.
Segundo o CM apurou, os belgas procuram indícios de branqueamento de capitais, já que o quadro legal naquele país da Europa não exige a existência de qualquer crime associado. Luciano D’Onofrio poderá vir a ser indiciado apenas por branqueamento. Não há suspeitas de envolvimento do clube ou dos atletas cujas transferências foram investigadas.
Entretanto, durante a tarde de ontem, a própria SAD do FC Porto confirmou as buscas por parte das forças policiais, que começaram pelas 10h00 e pretendiam documentos relacionados com a empresa International Agency for Marketing, que está sediada no Liechtenstein, e que tem como beneficiário o agente italo-belga, agora dirigente do Standard de Liége.
A proximidade de D’Onofrio com Pinto da Costa tem já várias décadas. Nos anos 80, o empresário assumiu a pasta de director desportivo do FC Porto, liderando grande parte das transferências dos dragões nessa década – casos de Juary, Rui Barros ou Paulo Futre – tornando-se essencial para o sucesso desportivo e económico dos dragões.
Após ter enveredado pela carreira de empresário – um dos primeiros certificados pela FIFA –, D’Onofrio tornou-se um dos homens mais poderosos do futebol, sendo raro o negócio milionário que não tivesse a sua mão.
PONTE ENTRE PORTO E LIÉGE
Luciano D’Onofrio começa a investir no Standard de Liége em 1998, mas não aparece oficialmente nos quadros do clube até 2004, até porque era empresário ainda em funções. A partir da sua entrada no clube, o Standard subiu em flecha e, em 2008, sagra-se campeão, após 25 anos de jejum.
As relações de proximidade entre Luciano e Pinto da Costa permitiram ainda a chegada de vários jogadores do FC Porto ao clube belga. António Folha, Fredrik Sodestrom, Nuno André Coelho, Areias, Sérgio Conceição e Jorge Costa saíram dos dragões para jogarem no Standard.
PERFIL
Luciano D’onofrio nasceu em 1955, em Itália, mas três anos depois mudou-se para Liége, na Bélgica. Torna-se jogador de futebol, mas termina a carreira aos 28 anos, já em Portugal, no Portimonense. Envereda pelo dirigismo, sendo director do FC Porto. Passa depois a ser um dos maiores empresários do mundo do futebol. Actualmente, está na direcção do Standard de Liége.
O GUARDIÃO MAIS CARO DO MUNDO
Uma das transferências em investigação é a de Vítor Baía para o Barcelona, no Verão de 1996, por uma quantia de 6,5 milhões de euros, então o maior valor pago por um guarda-redes na história do futebol mundial. O empresário Luciano D’Onofrio mediou as negociações, numa transferência que já motivou buscas nas instalações do clube catalão, em Junho de 2009.
VEIGA AFASTADO DO NEGÓCIO
O FC Porto vendeu, em 1998, Sérgio Conceição à Lázio, por cerca de dez milhões de euros, numa oferta que até chegou ao Dragão pelo empresário José Veiga. Contudo, o negócio seria finalizado por D’Onofrio, o que causou o corte de relações entre José Veiga e Pinto da Costa. Sérgio Conceição ainda jogaria no Standard de Liége, entre 2004 e 2007.
ANTÓNIO FOLHA NUM 'VAI E VEM'
António Folha era extremo-esquerdo e andou num autêntico 'vai e vem' entre o Porto e Liége, na Bélgica. Em 1998, o esquerdino foi emprestado pelos dragões ao Standard, mas ainda voltaria a vestir de azul-e-branco, antes de ser transferido, de forma definitiva, para os belgas, no final de 1999/2000. Em Janeiro de 2001, regressou ao FC Porto.
PORMENORES
CONDENADO A DOIS ANOS
Luciano D’Onofrio já foi condenado em França por quatro vezes, sendo o caso mais grave de 2006, quando levou dois anos de prisão, por comissões fraudulentas em transferências do Olympique de Marselha, entre 1997 e 1999.
500 CONTOS POR PENÁLTI
Serge Cadorin, antigo avançado do Portimonense entretanto falecido, revelou, em 1986, uma promessa de D’Onofrio que, em troca de um penálti a favor do FC Porto, lhe terá prometido 500 contos e uma transferência para os dragões ou para um clube europeu.
GUERRA ENTRE IRMÃOS
A mudança de Sérgio Conceição para a Lázio contribuiu para o esfriar de relações entre o líder do FC Porto e o irmão Alexandre. O corte total surgiria com um problema familiar.
BARCELONA VISITADO
Em Junho de 2009, o Barcelona foi também alvo de buscas, tendo em vista irregularidades nas transferências de Vítor Baía, do FC Porto, e Christophe Dugarry, do AC Milan. O negócio Baía teve a chancela de D’Onofrio.
PJ À ESPERA DE DADOS
O alegado pagamento de 3,2 milhões feito pelo Sporting a José Veiga, através de um contrato de direitos de imagem com João Pinto, continua ainda a ser investigado pela brigada que combate o crime económico na Polícia Judiciária. Foram pedidas informações bancárias ao Luxemburgo, depois de a verba ter sido transferida pelo menos entre duas entidades bancárias. As autoridades ainda não receberam as informações daquele país e o inquérito continua na PJ.
Em causa está uma verba que fugiu ao controlo do Fisco. João Pinto acabara de rescindir com o Benfica e o Sporting acabou por acordar a sua aquisição por 4,1 milhões. O contrato fala em direitos de imagem no valor de 3,2 milhões, que entraram numa conta de um banco inglês, em nome da empresa inglesa Goodstone, onde José Veiga tinha uma procuração que lhe dava amplos poderes.
Veiga diz que interveio no processo como amigo do jogador, mas o Sporting assegura que era o empresário de João Pinto. O atleta, por sua vez, começou por se dizer enganado e remeteu-se ao silêncio quando foi ouvido. As autoridades defenderam depois que João Pinto conhecia a existência da verba e foi também constituído arguido por fraude fiscal.
Da conta da Goodstone, a PJ apurou ainda que o dinheiro seguiu para o Luxemburgo. A investigação sustenta que antes de entrar nas contas de João Pinto o dinheiro passou por outra conta de Veiga no Luxemburgo. Além da fraude fiscal há também suspeitas de burla ao Sporting.
POLÍCIAS BELGAS EM PORTUGAL
Os carros da Polícia Judiciária e das autoridades belgas entraram várias vezes no Estádio do Dragão pela garagem. Foram discretos e rápidos no acesso ao escritório do edifício e apenas o Volvo com matrícula belga denunciou a investigação sobre o agente desportivo italo-belga e as buscas na SAD portista. À tarde, o presidente do FC Porto, Pinto da Costa, entrou na garagem , pelas 15h30, conduzido pelo motorista e saiu duas horas depois ao volante do seu automóvel. Nenhum outro movimento exterior revelou as diligências policiais.
Por:Tânia Laranjo/Sérgio Pereira Cardoso/Manuela Teixeira
25 Fevereiro 2010
Correio da Manhã
Juan Figer, Rentistas, Hulk, Walter e FCP
Juan Figer nasceu no Uruguai. Existe uma dúvida sobre sua idade real: se ele tem 73 ou 78 anos; em sua declaração de impostos, sua data de nascimento consta como 4 de outubro de 1934; ocasionalmente Figer declarou que nasceu em 1º de janeiro de 1930.
Campeão juvenil uruguaio e sulamericano de xadrez, Figer começou trabalhando como vendedor de camisetas nas ruas de Montevidéu, também como office-boy. Enriqueceu intermediando importações e exportações, e, em 1958, após um grupo de colegas vencer as eleições para dirigir o Peñarol, Figer tornou-se o diretor das categorias de base do clube, e, após algum tempo, assumiu a direção comercial. Entre esses colegas, estava Julio María Sanguinetti, ex-presidente do Uruguai, e na época novo secretário-geral do clube. Durante esta gestão, o Peñarol conquistou o campeonato nacional diversas vezes, conquistou a Copa Libertadores da América e o Mundial de Clubes.
Em 1968, Figer se mudou para São Paulo, onde sua família já residia a quatro anos. Pretendia montar um escritório de comércio internacional, que nunca passou de uma idéia. Passado dois anos, ele organizou sua primeira partida: Flamengo versus Peñarol. Ambos os times tiveram dúvidas sobre o sucesso dessa partida e cobraram antecipadamente. O dinheiro pago a eles foi fruto de um empréstimo contraído por Figer. Para sua sorte, o Maracanã recebeu um público de 100.000 pessoas, e seu sucesso lhe deu tudo que precisava para desbravar-se no mundo do futebol. Visitando os clubes paulistas, Figer fez amizade com alguns conselheiros do São Paulo, e, neste ano realizou a sua primeira transferência: a de Pablo Forlán, até então lateral-direito do Peñarol, para o São Paulo Futebol Clube, pela quantia de US$ 80 mil. Neste mesmo ano, trouxe mais dois jogadores do Peñarol, que sofria de uma grave crise financeira, para o Brasil: Hector Silva, para o Palmeiras, pelos mesmo US$ 80 mil e Pedro Rocha, para o São Paulo, por US$ 190 mil. Em 1971 Figer tira o chileno Elias Figueroa do Peñarol e o leva para o Internacional (RS), pelo valor de US$ 50 mil.
Consagração
A profissão de agente foi regularizada pela FIFA apenas em 2001, mas Figer já tinha transferido alguns dos principais jogadores do mundo: Maradona, Klinsmann, Gullit, Rijkaard, Lineker, De León, Sócrates, Careca, Vialli, Casagrande, Dunga, Zé Roberto, Müller, Denílson, etc. Este último ainda bateria o recorde da transferência mais cara do mundo na época, do São Paulo para o Bétis, atingindo as cifras de US$ 40,5 mi..
Existe uma história até obscura que envolve um destes jogadores: Diego Armando Maradona. Em 1975, quando o argentino ainda tinha 15 anos e jogava nas categorias de base do Argentinos Juniors, Figer, que o conheceu devido ao intermédio de agentes argentinos, se encontrou com o então presidente da Portuguesa de Desportos, Manuel Mendes Gregório, na sede da Federação Paulista de Futebol. Em uma prosa, ofereceu o jogador à Portuguesa pela quantia de US$ 300 mil. Na época, Gregório achou a quantia um tanto alta, e refugou o negócio no ato. Em 1976 Maradona debutaria na primeira divisão, em 1977 faria sua primeira partida pela seleção argentina e, no ano de 1978, o Argentinos Juniors já pedia US$ 1 milhão por seu passe e Maradona já era um dos melhores jogadores de seu país. Curiosamente, foi deixado de fora do Mundial de 78.
Conforme o tempo foi passando, Figer, workaholic declarado, foi se tornando muito influente e rico. Fez amizade com os principais dirigentes do Real Madrid e do Milan, tem entrada franca nos principais times paulistas, foi representante do Bayer Leverkusen na América Latina. Passou a representar inúmeros jogadores, desde o território brasileiro até fora dele. E sempre afirmou ter uma linha mais modesta, quando levava um calote: "Quando um clube não nos paga, em vez de protestarmos, nós o promovemos e inventamos formas de ele gerar recursos", disse Figer ao Jornal do Brasil, em 1988.
Problemas com a Justiça
"Nesta perspectiva, faz total sentido a movimentação promovida pelo empresário Juan Figer, que funciona como intermediário em vendas e compras de jogadores de futebol no Brasil e no exterior. Credenciado como agente FIFA, Juan Figer busca valorizar passes de jogadores transferindo-os para clubes da Europa. Como rotina de transação e sob o pretexto de facilitar a compra pelo clube europeu, faz com que clubes uruguaios comprem parte do passe. O detalhe é que o atleta sequer joga no clube uruguaio que tem, em média, 50% do seu passe. Esse "entreposto" uruguaio cumpre um papel de instituição financeira, como um banco onde se consegue financiamento para aquela dada negociação, e que será muito bem recompensado com transações futuras daquele atleta."
Este fragmento de texto foi retirado do artigo 'O fim da "lei do passe" e seus efeitos, de Carlos Eduardo Freitas, datado de 19 de março de 2001.
Juan Figer, agora assessorado também pelo seu filho, Marcel Figer, fez algumas transações de jogadores que geraram dúvidas e suspeitas de evasão fiscal e de divisas, pela existência de algumas suspeitas:
- Seus jogadores geralmente pertenciam ao Central Español ou ao Rentistas, ambos uruguaios, e eram emprestados a clubes brasileiros ou faziam nesses clubes a ponte entre transferências América do Sul-Europa, caso apelidado de Triangulação Uruguaia;
- A enorme suspeita de convocação de seus jogadores para a seleção brasileira simplesmente para valorização do passe, e não por competência;
- O caso de passaportes europeus falsos, que aconteceram com alguns jogadores seus e foi amplamente noticiado na Europa.
Esses fatos repercutiram no mundo inteiro, e a Câmara de deputados brasileira chamou Figer para responder essas acusações na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar fatos envolvendo associações brasileiras de futebol, a CPI CBF/Nike, e na CPI do Senado, a CPI do Futebol. Ainda foi investigado pelo Ministério Público Federal. Alguns casos merecem maior destaque:
Esquema Central Español/Rentistas
Conforme averiguado pela CPI, neste esquema existiriam dois tipo de funcionamento:
- Figer indicaria jogadores brasileiros promissores ao Central Español ou ao Rentistas, que os adquirem de forma total ou parcial, e os emprestam a clubes de alto escalão brasileiros para valorizar os passes, e posteriormente seriam revendidos para a Europa com grande lucro;
- Os clubes uruguaios citados, por intermédio de Figer, adquiririam os jogadores, e de maneira quase automática, os revenderiam para a Europa por valores extremamente maiores que o da primeira transação.
O grande triunfo seria burlar a cobrança de impostos do território brasileiro.
Em um trecho do depoimento de Figer com a CPI, alguns membros do legislativo discutem sobre o caso do jogador Lucas, ex-Atlético PR:
"O SR. GERALDO ALTHOFF – Um dos jogadores brasileiros que foi comprado pelo Rentistas foi o jogador Lucas. Correto?
O SR. JUAN FIGER – Exatamente.
O SR. GERALDO ALTHOFF – E o senhor foi responsável por essa transação?
O SR. JUAN FIGER – Sim, eu fui o responsável. Essa transação se originou aproximadamente há dois anos, dois anos e meio antes, quando o Atlético Paranaense comprou, do Botafogo de Ribeirão Preto três jogadores chamados Lucas, Gustavo e Cocito. Como o Atlético Paranaense não tinha nenhum tipo de condição financeira para efetuar esse negócio, fiz uma copropriedade: vendi os 50% dos direitos financeiros dos três atletas ao Rentistas. No caso específico de Lucas, que havia, na época, comprado por R$ 600 mil, vendeu os 50% por o equivalente a R$ 500 mil. (…)
O SR. GERALDO ALTHOFF – Quantas partidas o jogador Lucas fez pelo Rentistas?
O SR. JUAN FIGER – O jogador ficou jogando no Atlético Paranaense. O Rentistas comprou 50% dos direitos financeiros do jogador Lucas.
O SR. GERALDO ALTHOFF – Por quantos mil dólares?
O SR. JUAN FIGER – Ele era equivalente a R$ 500 mil na época. Acho que devia dar cerca de…
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Na época estava próximo o dólar do real.
O SR. JUAN FIGER – Era perto de 400 mil dólares. (…)
O SR. GERALDO ALTHOFF – (…) Por quanto foi vendido, depois, o Lucas para a Europa? Quantos milhões de dólares?
O SR. JUAN FIGER – Bem, eu não participei da venda de Lucas para a Europa. Eu participei, sim, no interesse que tinha o Rentistas e o Atlético Paranaense de formalizar uma negociação. A negociação foi feita por 15 milhões de dólares, mais uma série de encargos e despesas que tem qualquer tipo de negociação, como o percentual que recebe o jogador – recebe 15% como comissão."
Esse caso representa o primeiro tipo de funcionamento. Já o depoimento abaixo, que diz respeito sobre a transferência do jogador Zé Roberto, da Portuguesa para o Central Español e do Central Español para o Real Madrid, no mesmo dia, representa o segundo tipo:
"O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – (…) Primeiramente, gostaria de saber se foi o senhor o empresário na venda do jogador Zé Roberto, que pertencia à Portuguesa e hoje joga na Alemanha.
O SR. JUAN FIGER – Perfeitamente. Eu fui empresário e vou comentar exatamente essa transação. A Associação Portuguesa de Desportos estabeleceu um preço, para Zé Roberto, que queria atingir. Eu, como procurador do jogador, também queria que Zé Roberto participasse dos times que ofereceriam melhor condição financeira para ele, e desportiva, naturalmente. E Real Madrid e Central Español fizeram uma parceria, uma copropriedade, e compraram Zé Roberto da Portuguesa, pagando…
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Sr. Juan Figer, a informação que nós temos é um pouco diferente. A informação que temos é que o Zé Roberto foi adquirido pelos Rentistas por US$ 6 milhões, aproximadamente, seis milhões e alguma coisa.
O SR. GERALDO ALTHOFF – Foi pelo Central Español.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Central Español.
O SR. GERALDO ALTHOFF – US$ 4,6 milhões.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – E, no mesmo dia, ele foi vendido pelo Central Español para o Real Madrid, por nove milhões e…
O SR. GERALDO ALTHOFF – US$ 9,980 milhões.
O SR. JUAN FIGER – Eu vou explicar.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Portanto, não houve uma parceria; houve uma intermediação.
O SR. GERALDO ALTHOFF – E o senhor teria recebido, à época, US$ 2 milhões pela transação.
O SR. JUAN FIGER – Não. Eu vou comentar como foi esse negócio e quais são os números. Houve uma parceria entre Real Madrid e Central Español: Central Español pagou à Portuguesa US$ 4,6 milhões, e Real Madrid pagou à Portuguesa US$ 1,5 milhão. Ambas as cifras totalizaram US$ 6,1 milhões. Posteriormente, essa venda ficou como um contrato de risco, e a quantidade exata que o Real Madrid pagou até hoje ao Central Español – porque o contrato de risco estabelecia a permanência do jogador, durante cinco temporadas, no Real Madrid, e ele permaneceu unicamente seis meses – foi US$ 5,5 milhões ou US$ 5,6 milhões. Essa foi a importância total que pagou o Real Madrid.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – O que se noticiou é que a venda do Central Español para o Real Madrid, que ocorreu no mesmo dia da aquisição junto à Portuguesa, teria sido de mais de US$ 9 milhões. Então, o senhor está dizendo que isso não é verdade?
O SR. JUAN FIGER – Não. A venda efetiva do jogador, como era um contrato de risco, e o que realmente Real Madrid pagou, à parte do US$ 1,5 milhão que pagou à Portuguesa, foi de US$ 5,5 milhões e US$ 5,6 milhões."
Esse fato gerou muita polêmica e acabou acarretando com a renúncia do então presidente da Portuguesa, Manoel Gonçalves Pacheco. Esses dois casos representam exatamente os dois modos de funcionamento do chamado pela CPI de Esquema Central Español/Rentistas.
Seleção Brasileira
Quando os treinadores Carlos Alberto Silva, Carlos Alberto Parreira e Vanderlei Luxemburgo estavam no comando do Brasil, houve uma suspeita de que estes técnicos estavam convocando jogadores de Figer apenas para valorizá-los. Podemos citar, como mero exemplo, o caso do jogador Mílton, que em 1988 foi convocado por Silva. O atleta, que pertencia ao Coritiba, após a convocação foi vendido ao Como, da Itália. Porém, não há nada provado contra Figer nesta acusação.
Passaportes Europeus Falsos
Alguns jogadores de Figer foram extraditados com passaporte comunitário falso na Europa, e geralmente sequer sabiam responder a respeito do passaporte. No caso do jogador Edu, que na época foi transferido por Figer para o Arsenal FC, o jogador admitiu que seu empresário conseguiu seu passaporte diretamente de Portugal, apesar da embaixada portuguesa no Brasil ter declarado que o jogador não poderia ter conseguido o passaporte senão no Consulado Português de São Paulo. Ao desembarcar na Inglaterra, Edu foi extraditado por suspeitas de passaporte falso. Em um encontro entre parlamentares brasileiros e Hermínio Menéndez, representante de Figer na Europa, este garantiu, na época, que Figer nada tem a ver com o ocorrido. O mesmo aconteceu com Warley ao chegar à Itália. Porém, Figer disse na CPI que Warley teria obtido o passaporte falso diretamente da Udinese. Neste caso também, não houve nenhuma sentença judicial contrária a Juan Figer.
Hoje
Após todas as suspeitas e investigações, nada aconteceu com Figer. Ele e seu filho Marcel continuam operando normalmente no mercado do futebol. Sua empresa de representação de atletas está registrada como MJF Publicidade e Promoções.
Fonte: Wikipédia
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F.C. Porto: Walter e Hulk partilham passagem fantasma pelo Rentistas
Walter parece-se cada vez mais com Hulk. Pelo jeito, pela capacidade de explosão, pela potência do remate. Mas não só. Nesta quarta-feira, soube-se que os dois jogadores partilham uma passagem fantasma por um clube do Uruguai: o Club Atlético Rentistas.
O Internacional de Porto Alegre vendera metade do passe de Walter ao empresário Juan Figger, a troco de 3,7 milhões de euros. O agente FIFA já tinha a outra metade. Após longas negociações, o F.C. Porto adquiriu 75 por cento do passe por seis milhões. Sobretudo, para ter controlo maioritário sobre o jogador.
OFICIAL: Walter assinou com o F.C. Porto por cinco anos
Segundo o comunicado enviado à CMVM, Walter foi adquirido ao Rentistas. Tal como aconteceu com Hulk em 2008. O reforço do F.C. Porto nunca jogou pelo emblema do Uruguai. Para perceber melhor a história, aqui fica o que o Maisfutebol escreveu há dois anos, a propósito do negócio que levou Hulk para o Dragão.
Japão ou Uruguai?
Ao contrário do que se supunha, Hulk não foi comprado pelo F.C. Porto directamente ao Tokyo Verdy. Segundo os azuis e brancos revelaram em comunicado à CMVM, a negociação de 50 por cento do passe do jogador foi feita com o Club Atlético Rentistas, um emblema da cidade de Montevideu, no Uruguai, que disputa a segunda divisão.
O Rentistas é, de resto, um clube pequeno do país, que serve sobretudo como interposto de jogadores. A negociação de Hulk não é a primeira que faz com o mercado português. Ainda na última época, por exemplo, o Sporting adquiriu Tiuí a esse emblema.
Antes destes, no final dos anos 80, o Sporting já tinha adquirido também através do clube Rentistas os jogadores Paulo Silva e Rodríguez. As transferências foram intermediadas por Juan Figger, como acontece com todos os jogadores que saem do pequeno clube uruguaio para a Europa. A maior parte deles nunca chegam a jogar no Rentistas.
Juan Figer, um uruguaio radicado no Brasil e que é o empresário FIFA mais antigo do país, já foi alvo de uma investigação do Senado do Brasil devido à suspeita de actividades ilegais através do Rentistas e do Central Espanhol (outro clube do Uruguai que também é um ponto de passagem de futebolistas), devido ao modo como negociava jogadores.
Nessa ocasião, o empresário foi obrigado a responder perante as acusações da Comissão Parlamentar de Inquérito. Segundo o relatório, «jogadores brasileiros são adquiridos pelos clubes uruguaios (com a intermediação do Sr. Figer no negócio) e imediatamente revendidos a clubes europeus por valores que chegam ao dobro do montante da compra».
Juan Figer sempre negou qualquer participação no Rentistas, referindo só intermediar negociações que envolvem o clube. Um dos casos investigados foi Lucas, que teve metade do passe comprado ao At. Pararanense por 400 mil dólares e posteriormente vendido para a Europa por 15 milhões, sendo que metade foi para o clube brasileiro.
O jogador nunca chegou a jogar pelo Rentistas. Nos registos de Hulk não consta também qualquer passagem pelo Rentistas, mas o F.C. Porto esclarece no comunicado que comprou 50 por cento dos direitos económicos e os direitos desportivos ao clube. O que significa que o Rentistas adquiriu primeiro os direitos desportivos ao Tokyo Verdy.
Mais Futebol - 29/07/2010
Partilha de passes de jogadores
Vender passes a investidores é tolerado pela FIFA mas proibido em Inglaterra
A partilha dos direitos económicos com investidores externos é prática comum na Argentina, Uruguai, Brasil e outros países sul-americanos. A maior parte dos clubes nestes países tem grandes limitações financeiras (muitos estão mesmo em situação de insolvência) e vê-se obrigada a recorrer com frequência a esta cedência total ou parcial dos passes dos jogadores. O fenómeno está agora a generalizar-se também entre os maiores clubes de Portugal. Na Europa, aliás, esta venda a terceiros tende a ser um fenómeno mais corrente nos países do Sul do continente. Na Inglaterra, por exemplo, este tipo de negócio começou por ser tolerado em determinadas condições, mas passou a estar totalmente proibido a partir de 2008.
A controvérsia desencadeada pelo chamado "Tévezgate" - a contratação de Tévez e Mascherano pelo West Ham, em Agosto de 2006 - levou a uma alteração radical do regulamento da Premier League relativamente a esta matéria. Os direitos económicos de Tévez eram detidos pelas empresas MSI e Just Sports Inc., enquanto o passe de Mascherano era repartido pela Mystere Services Ltd. e pela Global Soccer Agencies - quatro empresas de um universo misterioso controlado ou representado por Kia Joorabchian. O West Ham começou por esconder a existência destes "acordos de associação económica". O antigo artigo U18 do regulamento da liga inglesa não permitia que "entidades terceiras" pudessem ter qualquer "influência material sobre a política ou a actuação dos clubes". Nos termos do acordo assinado entre West Ham e Kia Joorabchian, o clube inglês não poderia opor-se a uma eventual decisão de venda dos jogadores argentinos (o West Ham também não teria qualquer palavra a dizer quanto ao preço de uma eventual transferência de Tévez ou Mascherano). A liga inglesa considerou que as empresas de Joorabchian detinham, desta forma, uma "influência material" (e ilegal) no poder decisório do clube. O West Ham conseguiu evitar as sanções desportivas (dedução de pontos, descida de divisão), mas foi condenado ao pagamento de uma multa recorde de 5,5 milhões de libras. O West Ham aguentou-se na divisão principal, mas não evitou ser processado pelo despromovido Sheffield United. Em Março de 2009, o clube de Londres aceitou pagar uma indemnização de 20 milhões de libras ao Sheffield.
A direcção da Premier League não gostou da confusão provocada pela intromissão destes investidores sem rosto que geralmente se escondem debaixo do manto protector e confidencial de empresas registadas em paraísos fiscais. Apesar dos esforços de Joorabchian e Zahavi, que tentaram convencer os britânicos sobre as virtudes do chamado "modelo sul-americano" (partilha do risco entre clube e investidores, provisão de talento futebolístico a clubes com limitações financeiras), a liga inglesa aprovou dois novos artigos (L34 e L35) do regulamento que passaram a proibir qualquer tipo de acordos de associação económica com terceiros a partir da época de 2008/09. A Premier League justificou a decisão com a "necessidade de protecção da integridade da prova e manutenção da confiança do público". Vários dirigentes da liga e da federação inglesa classificaram estas parcerias como "repugnantes" ou "pouco edificantes". "Estes negócios envolvem seres humanos e será muito desestabilizador ter 'outsiders' com interesses financeiros em determinados jogadores", comentou Gordon Taylor, presidente do sindicato de jogadores profissionais da Inglaterra e País de Gales.
Acordo Benfica/Jazzy em questão
Em 2008, a FIFA introduziu um artigo (18º bis) sobre esta matéria - intitulado "Influência de terceiros sobre os clubes" - no Regulamento sobre o Estatuto e a Transferência de Jogadores: "Nenhum clube pode celebrar um contrato que permita a uma das partes ou a um terceiro adquirir a capacidade de influenciar a independência, a política ou o desempenho das suas equipas em matéria de trabalho ou de transferências." O novo articulado da federação internacional não vai tão longe quanto as normas inglesas. Ao contrário da Premier League, a FIFA não proíbe a alienação a terceiros de parte ou da totalidade do passe de jogadores - apenas restringe a influência que esses terceiros possam ter nos clubes. A parceria entre Benfica e Jazzy Limited (de Joorabchian e Zahavi) relativamente ao internacional brasileiro Ramires, por exemplo, poderia ser considerada irregular nos termos do Regulamento da FIFA já que o presidente Luís Filipe Vieira admitiu - em entrevista à Benfica TV, no dia 2 de Agosto - que a permanência do jogador "não depende exclusivamente do Benfica". "Temos um parceiro, somos credíveis e temos de respeitar os contratos", afirmou Vieira. Poderá concluir-se que a sociedade Jazzy Limited detinha, desta forma, uma "posição de influência" relativamente à independência e política de transferências do Benfica - uma circunstância que a FIFA quer banir do futebol.
"Acordos desviam dinheiro para fora do futebol"
David Dein, ex-CEO do Arsenal, antigo vice-presidente da federação inglesa e actual director da comissão de candidatura da Inglaterra ao Mundial 2018, é um dos mais ferozes opositores destes acordos de associação económica: "O facto de terceiros deterem parte ou a totalidade dos passes de jogadores desvia dinheiro para fora do futebol. Quando um clube compra um jogador de outro clube, o dinheiro permanece no sistema e circula dentro do futebol. Quando o passe é detido por terceiros, a venda de um jogador beneficia apenas indivíduos ou empresas. E quando o dinheiro é desviado para fora do futebol, os clubes ficam mais limitados em termos de evolução e de capacidade de investimento em jogadores, infra-estruturas e estádio. Além disso, esta prática reduz vários jogadores - sobretudo em África e na América do Sul - a uma posição de quase escravidão. E também origina problemas ao nível da integridade da competição, já que seria possível que em determinado encontro jogadores das duas equipas adversárias fossem detidos pela mesma entidade terceira."
O artigo 18º bis ("Influência de terceiros sobre os clubes") do Regulamento FIFA:
"1. Nenhum clube pode celebrar um contrato que permita a uma das partes ou a um terceiro adquirir a capacidade de influenciar a independência, a política ou o desempenho das suas equipas em matéria de trabalho ou de transferências.
2. A Comissão de Disciplina da FIFA pode impor sanções aos clubes que não respeitarem as obrigações estipuladas neste artigo."
Por Paulo Anunciação - O Jogo - 20/11/2010
Jorge Mendes e a Gestifute
Segundo reza a história, Jorge Mendes foi um fracasso como jogador. Tinha na altura vinte e poucos anos, a não restou opção senão terminar a carreira e abrir alguns bares e nightclubs, juntamente com uma loja de aluguer de vídeos. E terá sido mesmo num bar em Guimarães que Mendes conheceu Nuno, jogador do qual se tornou agente em 1996, intermediando de seguida a sua transferência do Vitória para o Deportivo da Corunha. (in Wikipedia)
Depois, foi atraindo mais jogadores, como Jorge Andrade e Hugo Viana, tendo este último se transformado no seu primeiro real grande negócio internacional (12 milhões libras, do Sporting para o Newcastle).
Costinha, do Nacional (na altura na 2ª Divisão B) até ao Mónaco, foi uma longa e dura prova de resistência pois não vingou nem à experiência em Madrid.
Mas aquela que é a apoteótica história de Mendes começa com Mourinho, no Verão quente de 2004. Conseguiu suplantar Jorge Baidek (que já o conhecia desde o União de Leiria), orientando a carreira do "special one" para Standord Bridge em vez de Anfield Road como Baidek anunciava.
Também José Veiga ficou pelo caminho no célebre episódio do aeroporto.
E agenciar Mourinho foi o início do que sabemos, e vemos.
O talento de Mou na gestão de equipas fez com que Ricardo Carvalho, Paulo Ferreira, Tiago, Morais (400 mil €, ao Penafiel) e Maniche, jogadores sempre questionáveis, o acompanhassem para Londres em negócios que valeram muito dinheiro a Mendes, custaram ao Chelsea, e que certamente poucos estariam à espera de assistir, quanto mais com os valores envolvidos.
O FC Porto, nesse ano, também não deixou de "ajudar" Mendes, com Luis Fabiano e Thiago Silva a conhecerem a porta de entrada para a Europa, jogadores à altura nas mãos de vários interessados.
Com a importância que o empresário foi adquirindo, não foi de todo estranho o acesso privilegiado que o mesmo adquiriu para estar no hotel da selecção portuguesa no europeu de 2008, à época orientada por Scolari.
Entretando, seguiram-se Pepe para o Real Madrid, Simão para o Atlético, Anderson e Nani para o Man Utd (tendo o último deixando a sua anterior agente Ana Almeida pelo caminho), com Carlos Queiróz a ser determinante nesse "raid".
Apesar das cada vez maiores conexões externas, seja com Pini Zahavi ou com a Creative Artists Agency, os grandes negócios proliferam dentro da "carteira" de agenciados. Eis aquelas que foram as mais célebres transferências que Mendes intermediou, contabilizando apenas de 2004 até agora:
Em 2004
- Ricardo Carvalho, do FC Porto para o Chelsea, por 30 milhões
- Paulo Ferreira, do FC Porto para o Chelsea, por 20 milhões
- Tiago, do Benfica para o Chelsea, por 12 milhões
- Deco, do FC Porto para o Barcelona por 21 milhões menos Quaresma (6 milhões)
Em 2005
- Tiago, do Chelsea para o Lyon, avaliado em 10 milhões
- Seitaridis, do FC Porto para o Dynamo Moscovo por 10 milhões
- Costinha, do FC Porto para o Dynamo Moscovo por 4 milhões
- Nuno, do FC Porto para o Dynamo Moscovo por 2.5 milhões
- Derlei, do FC Porto para o Dynamo Moscovo por 7.5 milhões
Em 2006
- Hugo Viana, do Newcastle para o Valencia por 2.3 milhões
- Nunes, do Braga para o Mallorca por 2.5 milhões
- Seitaridis, do Dynamo Moscovo para o Atl Madrid por 6 milhões.
- Costinha, do Dynamo Moscovo para o Atl Madrid por 6 milhões
Em 2007
- Pepe, do FC Porto para o Real Madrid, por 30 milhões
- Anderson, do FC Porto para o Man Utd, por 31.5 milhões
- Nani, do Sporting para o Man Utd por 25.5 milhões
- Simão, do Benfica para o Atlético Madrid por 20 milhões
- Manuel Fernandes, do Benfica para o Valencia, por 15 milhões
- Tiago, do Lyon para a Juventus, por 15 milhões
- Hugo Almeida, do FC Porto para o Werder Bremen em definitivo por 4 milhões
- Diego Costa, do Braga para o Atl Madrid por 3.5 milhões
- Pele, do Vitoria para o Inter por 2 milhões
- Jorge Andrade, do Corunha para a Juventus por 13 milhões
- Ricardo Rocha, do Benfica para o Tottenham por 5 milhões
Em 2008
- Scolari, para o Chelsea que rondou os 7 milhões de euros.
- Danny, do Dynamo de Moscovo para o Zenit, por 30 milhões
- Quaresma, do FC Porto para o Inter, por 27.8 milhões menos 6 milhões do Pele
- Geromel, do Vitoria para o Colónia, por 2.5 milhões
- Giovani dos Santos, do Barcelona para o Tottenham por 8 milhões
- Deco, do Barcelona para o Chelsea por 10 milhões
Em 2009:
- Ronaldo para o Real Madrid pela exorbitância dos 94 milhões que sabemos.
- Thiago Silva, do Fluminense para o Milan por 10 milhões
- Ibson, do FC Porto para o Spartak Moscovo por 4 milhões
Mas, 2010, ano de grande crise e de tremenda quebra no volume e montantes dos negócios de transferências, tem-se revelado o oposto e de uma forma absolutamente inacreditável.
- Começou com Mourinho, a sair para o Real por cerca de 14 milhões.
- Logo de seguida, o mesmo amigo Mourinho vai apressadamente buscar Di Maria por 25 milhões.
- Quaresma, do Inter para o Besiktas por 7.3 milhões
- Rafael Marquez desvincula-se do Barcelona, e assina pelo New York Red Bulls, num negócio sem valores mas alegadamente com um contrato fabuloso para o mexicano.
- Miguel Veloso vai para o Génova, num negócio que custou aos italianos 9 milhões
- Diego Souza, passe cedido ao Atlético Mineiro por 3 milhões
Se a conta já ia elevada (60 milhões milhões, à percentagem que só eles sabem), então recomeça a loucura:
- Bruno Alves, 22 milhões, aos 29 anos, para os russos do Zenit. Todos se perguntam se haveria assim tanta gente a chamar por Bruno...?
- Ramires, 22 milhões, para o Chelsea, como intermediário. Este é o tal negócio que meteu Pini Zahavi, Kia Joorabchian, uma coisa difícil de perceber ao certo, e a impossibilidade de em Inglaterra haverem jogadores com passe detido por mais do que uma entidade. Algo que explica muita coisa para além disto (Tevez, Robinho,......) mas isso é uma outra história.
- Ricardo Carvalho, do Chelsea para o Real, por mais 8 milhões.
- Bebé, numa manobra ultra-rápida de mudança de agente, do Vitória para o Man Utd.
E ainda constam no cardápio...
- Carlos Vela, Fábio Coentrão, Daniel Carriço, Duda, Sidnei, Rodrigo Tello, Postiga, Nuno Assis, César Peixoto, Petit, Abel, João Paulo, João Alves, Edinho, Bruno Gama, Ukra, Pizzi, Fábio Faria, Rabiola,.... entre outros de idade mais avançada e menos mediáticos, e um acréscimo semanal de novos jogadores.
O ano de crise está quase a apanhar o ano de ouro (2007).
Jorge Mendes está cada vez mais em jogo, uma parte do jogo, e cada vez mais próximo do estilo do super-agente que foi Zahavi, mas com muito menos polémica à mistura. Já só falta começar a entrar no negócio das compras dos clubes, agora que se aproximou tanto dos russos, de Kia, e das suas influências. Honestamente, já não vejo porque não o possa fazer, dado o poderio financeiro que alcançou, e a lógica de integração que isso daria aos seus negócios.
Infelizmente, Portugal não tem clubes à venda que pudessem ser uma boa alavanca dos seus interesses. Mas, quem sabe?
A grande vantagem é que esta "malha" de conhecimentos e networking tem por base um enorme trabalho na procura e captação de talentos.
Numa competência que não lhe pode ser questionada, a estratégia passa pelo acompanhamento muito próximo de escolas de futebol e equipas jovens. Mas, é no estar junto dos intervenientes certos, e ser tremendamente influente junto deles, que se suporta a verdadeira máquina de fazer dinheiro que é a Gestifute.
Cada um pode tirar as ilações que quiser, e podem ser bastantes e de todo o género. Sejam quais forem, no final é a competitividade do futebol português quem mais vai agradecendo.
E Porto, Benfica, e agora também Sporting, estão livres para trabalhar com o empresário sem constrangimentos.
Fonte: Futebol "O desporto rei" - 2/09/2010
Kia Joorabchian e o Corinthians
No final de 2004, um obscuro executivo iraniano radicado em Londres se transformou no grande ídolo da segunda maior torcida do país. O dinheiro que Kia Joorabchian despejou no Corinthians rendeu um time de estrelas e um título importante. Os corintianos se acostumaram a gritar seu nome nas arquibancadas, consagrando o cartola falastrão, gastador e enrolado. Três anos depois, porém, Kia passava de herói a vilão do Corinthians. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público revelaram que os negócios da MSI são irregulares. Quais são as conseqüências do caso?
Qual era o objetivo declarado da parceria entre Corinthians e MSI?
O acordo, costurado em agosto de 2004 e oficializado em novembro daquele mesmo ano, previa um período de investimento de dez anos pela Media Sports Investments, a MSI. O empresário Kia seria o representante do fundo de investidores no país, responsável por gerenciar os recursos externos e fechar negócios em nome do Corinthians. Kia era o único rosto conhecido da parceria -- os investidores estrangeiros responsáveis pelos investimentos permaneciam desconhecidos, assim como a origem do grande fluxo de dólares que chegava desde Londres, sede da MSI. Em troca da compra de jogadores (e de promessas como a construção de um estádio e a criação de um canal de TV por assinatura do clube), a MSI poderia explorar o departamento de futebol corintiano, negociando contratos publicitários e recebendo os lucros de vendas de atletas. Os responsáveis pelos investimentos receberiam parte da receita e se comprometiam a continuar gastando dinheiro com contratações, mantendo sempre um "supertime".
Quais foram os resultados do negócio entre clube e fundo estrangeiro?
Kia gastou cerca de 115 milhões de reais em contratações no primeiro ano de parceria. Trouxe jogadores famosos e promissores, como os argentinos Tevez e Mascherano e os brasileiros Nilmar, Carlos Alberto e Roger, entre vários outros. Gastou até com um técnico estrangeiro e caríssimo: Daniel Passarella, demitido depois de perder por 5 a 1 para o São Paulo no Pacaembu e ser ameaçado por uma invasão de torcedores ao gramado. Apesar de fracassar no Campeonato Paulista e na Copa do Brasil, o time foi campeão brasileiro em 2005, troféu marcado pelo escândalo da máfia do apito e por um erro crucial de arbitragem no jogo decisivo contra o Internacional, vice-campeão. Em 2006, a parceria começou a fazer água. As brigas internas e trapalhadas de Kia e da diretoria do Corinthians prejudicaram as campanhas da equipe, que não levantou a tão sonhada taça da Copa Libertadores e fracassou também nas outras competições do ano. Em 2007, foram novos fiascos: no Paulista, no Brasileiro e na Copa do Brasil.
O que aconteceu com a parceria depois dos fracassos no gramado?
Os rolos de Kia, as disputas políticas no clube e a natureza obscura dos investimentos ficaram em segundo plano enquanto houve bons resultados em campo - a partir de 2006, porém, a parceria tornou-se um enorme problema. Kia levou Tevez e Mascherano para a Europa e fechou a torneira de dólares. O clube passou a pressionar a MSI na esperança de contratar novas estrelas e pagar as dívidas, que não paravam de crescer. No começo de 2007, com o Corinthians abandonado pela empresa e por seu próprio presidente, que passava a maior parte do tempo em Londres, os conselheiros votaram pela dissolução da parceria. Na teoria, o elo entre Corinthians e MSI ainda existia. A relação entre as partes, contudo, se resumia às trocas de acusações e cobranças. A sede paulistana da MSI deixou de existir; sem receber, o quadro de funcionários ficou esvaziado. Dois anos depois de armar o time mais caro da história do futebol brasileiro, o Corinthians tentava se sustentar com um time cheio de novatos e desconhecidos.
Fora de campo, qual foi o desfecho da parceria entre empresa e clube?
Um dos maiores escândalos já ocorridos no esporte brasileiro. E o caso está longe de terminar: há a possibilidade real de que os principais envolvidos na parceria terminem presos. As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público identificaram uma longa lista de crimes no clube. Há suspeitas de evasão de divisas e sonegação fiscal. Gravações telefônicas interceptadas com autorização judicial mostram Kia falando abertamente em lavagem de dinheiro. Um inquérito da PF também investigará dirigentes do clube e da MSI por formação de quadrilha. O trabalho da PF, chamado Operação Perestroika, mostrou que os crimes foram além das irregularidades denunciadas desde 2005 pelo Ministério Público Federal. Suspeita-se que a MSI pagava suas estrelas (como Tevez, Mascherano, Carlos Alberto, Nilmar e o técnico Emerson Leão) no exterior -- numa conversa gravada entre Carlos Alberto e a sua ex-mulher, a moça ameaça "abrir a boca sobre o depósito do salário, que é feito metade aqui e metade no exterior".
Quais são os principais personagens do escândalo e seus crimes?
Em julho de 2007, a Justiça Federal determinou pedido de prisão preventiva contra Kia Joorabchian e o magnata russo Boris Berezovski, o principal investidor da MSI. Nojan Bedroud, diretor da empresa, também foi alvo do mesmo pedido. São acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. No Corinthians, foram denunciados vários dirigentes, incluindo o então presidente, Alberto Dualib, e seu vice, Nesi Curi. O empresário Renato Duprat, que intermediou o acordo para a parceria, o advogado Alexandre Verri, advogado com procuração da MSI, e o dirigente Paulo Angioni, ex-diretor da empresa, também foram citados no processo. O juiz da 6ª Vara Federal, Fausto Martin Sanctis, deu início ao processo criminal e marcou os depoimentos dos envolvidos para o segundo semestre. Se Kia e Berezovski entrarem no país, serão presos. Conforme os autores da denúncia, os procuradores Rodrigo de Grandis e Silvio Martins de Oliveira, a "quadrilha" corintiana movimentou cerca de 61 milhões de reais de origem ilícita.
O que dizem os acusados e suspeitos de envolvimento no escândalo?
Entre os alvos da denúncia formal, Kia e Berezovski não se pronunciam -- continuam em Londres, longe do furacão corintiano. Alberto Dualib nega envolvimento em crimes: "No telefone, 95% do que se fala não acontece, e isso não serve de prova", disse ele sobre os grampos da PF. Os jogadores que teriam recebido dinheiro fora do país não reconhecem a prática -- garantem que tudo foi feito dentro da lei. O técnico Leão, que ganhava 500.000 reais mensais, também nega ter recebido de forma ilegal. Jogadores e técnico seriam ouvidos pela PF dentro das investigações da Operação Perestroika. Enquanto a PF intensificava os trabalhos de apuração, Kia se casava com a advogada Tatiana, que trabalhava na MSI. Alberto Dualib e seu vice estavam afastados da presidência do clube. O retorno da dupla ao poder era considerado impossível. No lugar de Dualib assumiu o presidente interino Clodomil Orsi -- que também pode ser envolvido no caso, pois assinou notas frias falsas fornecidas por uma empresa de contabilidade.
Qual é o personagem decisivo para o desfecho de todo o episódio?
É o magnata russo Boris Berezovski, uma das figuras mais controvertidas do neocapitalismo pós-soviético. Homem de múltiplos talentos, Berezovski entrou para o mundo dos negócios com o colapso do comunismo e enriqueceu com as privatizações no regime de Boris Ieltsin. Com a ascensão de Vladimir Putin em 2000, Berezovski caiu em desgraça. Acusado de corrupção e ligação com a máfia russa, exilou-se na Inglaterra. A participação do russo no negócio com o Corinthians era suspeitada desde o início da parceria, mas sempre foi negada pelos dirigentes. A PF e o MP, contudo, foram claros: Berezovski era o dono do negócio, e Kia era apenas um "laranja". Provado esse envolvimento do russo, fica aberto o caminho para a punição dos crimes, já que estaria caracterizado o esquema de lavagem de dinheiro. Outro fato grave ligado ao russo é a revelação, nos grampos da PF, de toda a mobilização política para permitir que Berezovski visitasse o Brasil, fizesse mais negócios e até falasse com o presidente Lula.
Quem estava por trás das tentativas de trazer o russo até Brasília?
O ex-ministro e ex-deputado José Dirceu, que teve três encontros com o enroladíssimo magnata, dono de uma fortuna avaliada em 10 bilhões de dólares. De acordo com um petista familiarizado com os negócios de Dirceu, o principal assunto entre o ex-deputado e Berezovski foi a Varig -- seu fundo de investimento teria 1 bilhão de reais que seria destinado à compra da empresa. O papel de Dirceu, ainda segundo esse petista, era convencer o governo brasileiro a colocar 100 milhões de reais na transação por meio do BNDES. Os três encontros de Dirceu com Berezovski ocorreram numa mansão no bairro do Pacaembu, em São Paulo, cedida por Renato Duprat. A idéia de José Dirceu, conforme comentou com um interlocutor, era arrancar uma comissão de uns 20 milhões de dólares intermediando o negócio da Varig e, com isso, pagar campanha eleitoral para o PT. Um dia depois de se reunir pela última vez com Dirceu, o magnata russo foi interrogado durante oito horas pelos 2 procuradores que investigam a MSI.
Quais serão as possíveis conseqüências do escândalo no futebol?
O Congresso Nacional decidiu acompanhar mais de perto os negócios envolvendo clubes e empresários. Depois de uma audiência pública sobre o caso Corinthians-MSI no mês de setembro, a Comissão de Turismo e Desporto da Câmara decidiu investigar a fundo as transações do futebol, com apoio da Receita Federal. A intenção é descobrir novos casos de lavagem de dinheiro e corrupção no esporte. Alguns deputados se mobilizaram pela instalação de uma CPI sobre o tema, mas a extensa fila de comissões que esperam instalação na Câmara fez a idéia perder força. Na esfera internacional, o caso da MSI é uma das suspeitas que levaram a Fifa, entidade máxima do esporte, a criar uma comissão especial para refletir sobre o papel dos empresários no esporte. A preocupação se estende à Inglaterra, dona do campeonato nacional mais próspero e valorizado da Europa, onde os magnatas estrangeiros enrolados em seus países gastam milhões nos times, que têm ações negociadas na bolsa e podem ser comprados.
Setembro de 2007
Fonte: Veja - Abril
Giuliano Bertolucci e Luís Filipe Vieira
Bertolucci no papel de Rui Costa
O protagonismo de Giuliano Bertolucci na contratação de Ramires foi a confirmação da influência crescente que o empresário brasileiro tem junto de Luís Filipe Vieira. Ao fim de mais uma época de insucesso desportivo, o líder encarnado alterou, por completo, a estratégia na política de contratações do clube, deixando o director desportivo, Rui Costa, numa posição mais recatada, para dar maior visibilidade a Bertolucci, mais experiente nestas andanças, apesar de o empresário ter a mesma idade do ex-futebolista (37 anos).
23 Maio 2009 - Correio da Manhã
Na última pré-época, a vida de Rui Costa foi um constante rodopio, tendo efectuado viagens a Inglaterra, Itália e Espanha para trazer jogadores como José António Reyes, David Suazo ou Pablo Aimar, que chegaram a Lisboa em jacto privado.
Um ano depois, Rui Costa acompanhou Vieira a Londres para assistir a uma reunião previamente marcada pelo próprio Giuliano Bertolucci, que promoveu os primeiros contactos entre o clube da Luz e o seu amigo pessoal Kia Joorobchian, empresário que detém, entre outros, direitos sobre Carlos Tevez e Javier Mascherano.
Bertolucci não pôde estar presente, tendo ficado retido no Brasil, mas além do empresário anglo-iraniano também o olheiro do Benfica no Brasil, Francisco Oliveira, esteve no encontro.
A reunião rendeu frutos na contratação de Ramires ao Cruzeiro. O médio assinou um contrato válido por cinco anos e vai custar ao clube da Luz 7,5 milhões de euros. A cláusula de rescisão é de 30 milhões de euros. O Cruzeiro negociou os 30 por cento do passe com o Joinville por 1,5 milhões de euros, passando depois à negociação com os encarnados. As boas notícias de Ramires não se limitaram ao contrato para a Europa, pois o médio vai estrear-se na selecção, sendo opção para Dunga nos jogos com o Uruguai e Paraguai.
A amizade entre Bertolucci e Vieira começou quando este último era ainda presidente do Alverca, tendo sido ele a trazer para o futebol português jovens brasileiros, entre os quais Zé Roberto e Anderson. Mas foi, sobretudo, com a vinda dos centrais Luisão, Anderson e David Luiz que a confiança de Vieira aumentou. Nesta época, Bertolucci assegurou a contratação do lateral-direito Patric e foi ele o enviado do Benfica para negociar Ramires com o Cruzeiro, cabendo ao advogado Paulo Gonçalves assegurar a parte jurídica.
DECISIVO NAS CONTRATAÇÕES
Giuliano Bertolucci nasceu em São Paulo há 37 anos. Foi o responsável pelas vindas de Alcides, Luisão, Anderson, David Luiz para o Benfica, e o selo de qualidade destes jogadores transformaram-no no homem de confiança do presidente do Benfica. É o responsável pela vinda dos reforços Patric e Ramires.
Manuel Barbosa, o primeiro Agente FIFA
"De merda eu fazia omeletas de ouro"
Mariana Pinheiro - ionline - 31 de Outubro de 2009
"O Rui Costa salvou economicamente o Benfica, protagonizou a maior transferência de todos os tempos no mundo: sete milhões de dólares [em 1994], para a Fiorentina. Ele foi o grande salvador do Benfica num momento de catástrofe económica."
Ainda é considerado o pai desportivo de outros tempos?
Procurei sempre ter um comportamento que fosse ao encontro dos desejos da FIFA, ou seja, regularizar uma actividade que vivia na clandestinidade, que era e ainda é um mal que nunca se conseguiu curar. Hoje em dia temos mais empresários clandestinos do que os oficiais no mercado. Legalizar toda a gente é impossível. Há realmente um grande número de agentes FIFA, mas os conflitos sucedem-se. Quando estalam, dizem que não foram eles e tiram a mão do assunto para ficar impunes. São algumas situações deste género que dão mau nome à reputação dos empresários. Portugal foi o primeiro país a ter o primeiro agente FIFA do mundo [Manuel Barbosa, himself].
Em 1995 surgiu a Lei Bosman e a livre circulação de jogadores. Sentiu-se a diferença?
A FIFA só permite contratos de dois anos, mas há uma coisa: dei muitos apartamentos, muitas coisas aos jogadores de futebol e, ao fim de dois anos, o oportunismo deles e das famílias levou-os a que quisessem procurar outro empresário que fizesse o mesmo que eu. Está errado porque nós, quando investimos, não é para ao fim de seis meses ou um ano, o jogador dizer que está com pressa ou virar-se para nós e dizer: "Em dois anos não conseguiste o que eu queria, vou para outro."
Como se tornou no primeiro empresário futebolístico?
Tinha uma agência de viagens e o Borges Coutinho [presidente do Benfica] gostou das recepções que eu fiz ao Benfica, quando o clube foi a França, e convidou-me para vir para Portugal e abrir uma agência, a Mercury. Durante as deslocações do Benfica, senti que o jogador de futebol precisava de mais qualquer coisa. A mulher, por exemplo, dava-lhe uma lista de compras: "Vais ali comprar aquele bâton e este e este." Era um dia de juízo até que disse: "Ei, pára aí, onde vais? Dá-me cá a lista", e eu e os meus funcionários da agência começámos a tratar desses assuntos.
Qual foi a transferência que mais o marcou?
O Mozer. Vários clubes, como o FC Porto e o Barcelona, queriam-no. O Mozer ainda há pouco contou esta história e disse que quando eu lhe apresentei o contrato ele pensava que era para ir para o FC Porto, mas não, era para o Benfica. Mais tarde aconteceu o caso do Valdo, levei ano e meio a resolver o problema, houve uma luta entre grandes clubes: Torino, Marselha, Juventus. Tive sempre o mérito de nunca anunciar como certo algo que não estivesse fechado. O Benfica tem perdido muito por causa disso, anuncia jogadores que depois não aparecem. O FC Porto é mais correcto, mais cuidadoso, só anuncia certezas, não sei se não aprendeu comigo porque eu fui o primeiro a fazer isso. Quando eu dizia que alguém vinha, era porque vinha. Em relação ao Rui Costa, também fui eu que encaminhei o processo. O Rui Costa salvou economicamente o Benfica, protagonizou a maior transferência de todos os tempos no mundo: sete milhões de dólares [em 1994], para a Fiorentina. Ele foi o grande salvador do Benfica num momento de catástrofe económica. O Barcelona, por exemplo, não me interessava. Só pagava metade dos problemas do clube.
Foi pioneiro na matéria. Que balanço faz?
As transferências não se pautam apenas pelo factor económico: se eu ganho, eles ganham mais. Era acusado pelos invejosos e pelos críticos de futebol: de merda fazia omeletas de ouro. Isto porquê? Porque consegui transferências como a do Secretário para o Real Madrid, como a do Agostinho também para o Real e de lá para o PSG.
Depois houve o caso Tapie...
O caso Tapie tem um preço, o preço do homem. Não se vendem, nem se entregam os amigos. Tudo o que fiz no Marselha foi legal e a única coisa que não foi legal fi-la para salvar o Benfica. Fiz coisas extraordinárias pelo Benfica... Não vou dizer nada. Nem os benfiquistas vão ficar a saber, só se um dia me enervar muito. Quando se ama qualquer coisa, faz-se tudo para a salvar.
E sente-se recompensado pelo Benfica?
Tenho uma vantagem sobre todos. Os presidentes passam, o Benfica fica e o Manuel Barbosa continua a ter o mesmo prestígio intocável no clube.
Falou-se que saiu de França dentro da mala do carro...
Isso é outra mentira, mais uma estupidez. Nunca na minha vida isso seria possível, senão não teria sido conselheiro do PSG até 1999. Tudo isso foi uma montagem. A RTP teve um comportamento intolerável. Eu saí ilibado de todas as acusações do tribunal Aix-en-Provence. Fui o único absolvido, eu e o meu advogado fomos comer ostras e beber vinho Chablis para comemorar, mas a RTP deu a notícia de que eu tinha sido preso à saída do tribunal. No dia seguinte, eram seis da manhã e eu já estava em Portugal, tentei entrar violentamente na RTP e não me deixaram entrar em directo para provar que estava inocente e começaram todos a dizer muito espantados: "Oh Manuel estás aqui?!" Nunca pediram desculpas publicamente e o meu nome ficou queimado mundialmente.
Que andou a fazer durante esta ausência?
Um projecto bonito, turístico- -desportivo, aqui em Braga. Infelizmente não deu certo. A crise e outros entraves não permitiram.
Vai voltar mundo do futebol?
Sim, embora tenha consciência de que o terreno está minado. Mas como a mentira tem perna curta e a verdade vem sempre ao de cima, tudo se resolverá.
Como vê os empresários actuais?
Empresários há poucos, há é muitas muletas telecomandadas pelos clubes.
24 jogadores de um grupo na Canarinha
27 de Julho de 2010 - No Cu dos Juquinhas
"descobri que o grupo formado por Carlos Leite, Wagner Ribeiro, Kia Joorabchian e Giuliano Bertolucci – membros da “organização” – possuem 24 jogadores convocados.
Ou seja, 90% do grupo de convocados, entre os que são diretamente empresariados por eles ou representados por seus laranjas.
Deve ser coincidência…"
GOLEIROS
Víctor (Grêmio) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Jefferson (Botafogo) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Renan (Avaí) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
LATERAIS
Marcelo (Real Madrid-ESP) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
André Santos (Fernerbahce-TUR) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Daniel Alves (Barcelona-ESP) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Rafael (Manchester United-ING) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
ZAGUEIROS
David Luiz (Benfica-POR) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Henrique (Racing-ESP) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Rever (Atlético-MG) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Thiago Silva (Milan-ITA) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
VOLANTES
Sandro (Internacional) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Hernanes (São Paulo) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Jucilei (Corinthians) - Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Lucas (Liverpool-ING) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Ramires (Benfica-POR) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Ederson (Lyon) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Paulo Henrique Ganso (Santos) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Carlos Eduardo (Hoffenhein) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
ATACANTES
Alexandre Pato (Milan-ITA) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
André (Santos) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Tardeli (Atlético-MG) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Robinho (Santos) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Neymar (Santos) – Carlos Leite /Kia Joorabchian/Giuliano Bertolucci/Wagner Ribeiro
Kia Joorabchian e Giuliano Bertolucci
Confira mais negócios recentes que teriam a participação de Kia
20 de fevereiro de 2010 - Terra Brasil
O trânsito de Kia Joorabchian na Europa se dá especialmente na Inglaterra, Portugal, Rússia, Ucrânia e Turquia. Kia, que aparentemente trabalha como agente de jogadores, pode estar envolvido com uma série de negociações recentes no Brasil. Além disso, é provável que esteja por trás dos imbróglios de Oscar e Lucas Piazon com o São Paulo, movidos com a interferência de Giuliano Bertolucci, seu parceiro em outros negócios.
Em entrevista à Revista Placar de dezembro de 2009, o empresário de Elano, José Massih, confirmou que a participação de Kia foi vital para que o jogador deixasse o Manchester City com destino ao Galatasaray. "Ele Kia foi uma pessoa muito importante para a negociação", afirmou.
A transferência de Ramires, ex-Cruzeiro, para o Benfica também teve Kia Joorabchian como personagem. O iraniano parece ter trânsito dentro do clube de Lisboa e seu amigo e parceiro em alguns negócios, Giuliano Bertolucci, é agente de David Luiz, Luisão e Felippe Bastos, todos eles também jogadores do Benfica.
Kia costuma se ligar a agentes locais, como Bertolucci e Gustavo Arribas, que podem ser considerados seus parceiros na América Latina. Bertolucci não pode pisar no Morumbi - está por trás dos litígios de Oscar e Lucas Piazon com o São Paulo. Para deixar a trilha de fatos que ligam Kia a essas negociações ainda mais evidente, Oscar foi cogitado no Benfica e Lucas, no Chelsea.
Gustavo Arribas, por sua vez, pertence ao grupo HAZ Football Worldwide Ltda., empresa localizada no paraíso fiscal Gibraltar, no sul da Espanha. Arribas é o A do grupo, engrossado pelo argentino Fernando Hidalgo (o H) e pelo israelense Pini Zahavi (o Z).
Hidalgo é conhecido em Portugal como o responsável pela invasão de jogadores argentinos no país. Nesta temporada, o Porto chegou a ter sete atletas nascidos na Argentina. Em seu país, ele esteve envolvido em escândalo pela falsificação de passaportes, e teria recebido comissão pela transferência de Carlos Tévez ao Corinthians.
Conexão misteriosa pode ligar Kia a Robinho e reforços santistas
Três das contratações já realizadas pela nova diretoria do Santos para 2010 podem ter as impressões digitais de Kia Joorabchian. Homem forte da MSI, empresa que deixou o Corinthians há quatro anos, Kia estaria por trás das aquisições do lateral Alex Sandro, 19 anos, e do meia Zezinho, 18 anos. Além disso, Kia, hoje aparentemente trabalhando na Europa como agente de jogadores, ainda estaria orientando a carreira de Robinho, recém-adquirido por empréstimo pelos santistas.
Mas são as negociações dos dois nomes menos famosos da lista, Zezinho e Alex Sandro, que geram maior mistério. Abertamente, nenhum envolvido nas transações aceita falar sobre as chegadas de Alex Sandro e Zezinho à Vila Belmiro, nem revela o nome dos investidores. Mas segundo o Terra apurou com fontes ligadas aos três clubes envolvidos nessas negociações - Santos, Atlético-PR e Juventude - o iraniano Kia Joorabchian e o argentino Gustavo Arribas, seu amigo e olheiro, estariam por trás das duas contratações.
Aguardando inscrição, Alex Sandro ainda não foi oficialmente apresentado pelo Santos, embora já vista as cores do clube e treine no CT Rei Pelé desde a última semana. Zezinho, por sua vez, ainda acerta detalhes finais dos salários para ser confirmado como reforço santista. Abaixo, conheça mais detalhes sobre as duas negociações, a provável participação de Kia Joorabchian e o envolvimento de Robinho.
Zezinho: o Santos como vitrine
Muito amigo de Kia, o argentino Gustavo Arribas teria acertado com o Juventude a compra do meia Zezinho por 2,5 milhões de euros (R$ 6,1 milhões). Ex-integrante da Seleção Brasileira Sub-17, o jogador será oficialmente emprestado ao Santos por dois anos, um prazo incomum para esse tipo de negócio no futebol, que usualmente trabalha com o prazo de até 12 meses para empréstimos. Também será concedida ao Santos a opção de compra do atleta por 5,6 milhões de euros (R$ 13,6 milhões), valor praticamente inatingível para o padrão das compras realizadas pelas equipes brasileiras. Para se ter ideia, nenhum clube brasileiro neste início de temporada gastou mais do que 3 milhões em um só jogador.
O objetivo dos investidores é rapidamente conseguir encaixar Zezinho em um clube da primeira divisão inglesa. No ano passado, duas propostas do Arsenal chegaram às mãos do Juventude, que julgou o valor de 1,8 milhões de euros insuficiente (R$ 4,4 milhões). Com trânsito livre em pelo menos dois clubes do país, como Manchester City e Chelsea, Kia Joorabchian e Arribas poderiam rapidamente multiplicar o investimento caso o garoto de 19 anos se entrosasse com Paulo Henrique, Robinho e Neymar, este último, seu parceiro dos tempos de Seleção.
Alex Sandro: polêmica que divide o futebol paranaense
Por Alex Sandro, no início desse ano, a direção do Atlético-PR recebeu uma oferta do Deportivo Maldonado, clube da segunda divisão uruguaia, que foi entregue pelo mesmo Gustavo Arribas. A quantia foi recusada, mas uma segunda proposta, superior em 200 mil euros e feita por um grupo de investidores de nome não revelado, chegou às mãos do Atlético-PR, que considerou então os 2,2 milhões de euros (R$ 4,8 milhões), por um reserva, como irrecusáveis. E bateu o martelo.
A segunda oferta, misteriosa, no entanto, também parecia ter o dedo de Gustavo Arribas. A suspeita de que Arribas estaria envolvido vem do fato de Alex Sandro ter sido registrado como jogador do mesmo Deportivo Maldonado, clube que havia feito a primeira oferta, recusada. "Recebi a proposta inicialmente de um agente Fifa para o clube do Uruguai. Mas recusamos. Depois o filho do Petraglia (Mário Celso Keinert Petraglia) procurou o Enio Fornea (vice-presidente do Atlético-PR) em nome do pai com uma oferta de um grupo de investidores estrangeiros", disse Marcos Malucelli, presidente da equipe paranaense, em entrevista à Rádio Transamérica.
Segundo apurado pelo Terra, depois de fechar a negociação, o Atlético-PR teve uma surpresa quando soube que o grupo de investidores que comprou o jogador queria enviar todo o dinheiro via Inglaterra. A direção negou a ponte, que poderia levantar suspeitas sobre a origem do dinheiro, já que a transação envolvia um clube uruguaio e outro brasileiro. Sendo assim, não havia necessidade de o dinheiro vir via Inglaterra. A quantia só foi aceita porque teve como origem a conta do Deportivo Maldonado, clube uruguaio usado como fachada.
A ligação do Atlético-PR com Arribas vem desde que Mário Celso Petraglia era o homem forte do futebol do clube. Rafael Moura, contratado pela MSI para o Corinthians em 2006, até hoje é registrado como jogador do Locarno, clube suíço que seria usado por agentes ligados a Kia para inscrever jogadores. Nos dois últimos anos, Rafael atuou com a camisa atleticana, e hoje está emprestado ao Goiás.
A aproximação com o Cruzeiro
Em meados de dezembro último, o presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, afirmou publicamente ter se reunido com Gustavo Arribas, interessado em reforçar o elenco cruzeirense com atletas jovens. Em entrevista à Rede Globo Minas, Zezé confirmou o contato e se lembrou de uma outra negociação envolvendo o próprio Locarno.
"Ele Arribas comprou nosso jogador (o zagueiro Luizão, menos famoso que o xará da Seleção) para o Lugano (o dirigente queria dizer Locarno, mas se atrapalhou) e honrou todos os compromissos. Não tenho nenhuma restrição em relação a Arribas. Não o conheço suficientemente, mas, até aqui, no único negócio que nós fizemos, ele foi muito correto com a gente", disse Zezé Perrella.
Luizão envolve um negócio misterioso: mesmo sem ser titular do Cruzeiro, foi vendido em 2007 por 2 milhões de euros para o Locarno, mas nunca jogou pelo clube e foi imediatamente repassado por empréstimo ao Vasco. No ano seguinte, acabou vendido por 40% desse valor para o Bunyodkor, do Uzbequistão, em que trabalha Luiz Felipe Scolari. Em 2009, foi emprestado ao Cruzeiro, mas não jogou até hoje.
A provável ligação de Kia com Robinho
A ligação entre Kia e Manchester City já fez com que ele ajudasse a colocar cinco jogadores no City, clube que mais gasta atualmente na Inglaterra: Tevez, Jô, Sylvinho, Elano e Robinho. O iraniano atualmente estaria representando o próprio Robinho, e, segundo o Terra apurou, trabalhando para colocá-no no Barcelona depois da Copa do Mundo.
Perguntado por que não teria buscado a contratação de Robinho, o presidente corintiano Andrés Sanchez foi taxativo. "Se compro, sou preso. Logo irão dizer que tenho esquema com ele Kia", disse Andrés na ocasião em que o Santos acertou com o jogador.
A reportagem do Terra procurou o departamento de futebol do Santos para saber a origem nas negociações, mas não obteve resposta.
É importante dizer que, com a anulação do processo Corinthians/MSI, Kia tem permissão legal para participar da negociação de jogadores com qualquer clube no Brasil. Portanto, não há nada que impeça o iraniano de participar das transações de atletas com equipes brasileiras.
Para entender o caso Corinthians/MSI
Dirigentes do clube e da MSI foram processados pela Justiça Federal depois de denúncia do Ministério Público, acusados de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Em novembro do ano passado, a 2ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) anulou por unanimidade decreto que determinava a prisão preventiva do iraniano Kia Joorabchian e estendeu a decisão ao magnata russo Boris Berezovski. Com isso, Kia ficou livre para intermediar transações no Brasil.
Fonte: Terra Brasil
Kia Joorabchian
Kiavash "Kia" Joorabchian, é um empresário anglo-iraniano, ex-dirigente da Media Sports Investment (MSI). De pais anglo-iranianos, nasceu no Irã e deixou o país com sua família, em 1979, após a queda do Xá Reza Pahlevi e a ascensão do Aitolá Khomeini, transferindo-se para o Canadá e posteriormente para a Inglaterra, onde Kia freqüentou o exclusivo Shiplake College, em Henley-on-Thames, Oxfordshire. Estudou Química e depois Administração no Queen Mary College da Universidade de Londres, mas não chegou a se graduar. Atualmente é cidadão britânico.
Começou nos negócios trabalhando na revendedora de automóveis Mercedes-Benz de sua família, em Kent, ao sul de Londres. Posteriormente, atuou na Bolsa de Petróleo da capital britânica.
Seu primeiro negócio tornado público ocorreu em 1999, quando, em sociedade com Reza Kermani, comprou 85% do jornal moscovita Kommersant - uma publicação de negócios que era então o principal diário independente da Rússia - usando um fundo de investimento baseado nas Ilhas Virgens. Em seguida, vendeu o jornal a um grupo ligado a Boris Berezovsky, talvez o mais rico dos oligarcas russos.
Kia tornou-se multimilionário a partir da venda de sua empresa de equity, American Capital Investments Ltd .
Fundou a Media Sports Investments em 2004.
Kia tornou-se notório por representar os interesses de Boris Berezovsky, que vive exilado na Inglaterra. Desconhece-se, todavia, o seu grau de relacionamento com o proprietário do clube inglês Chelsea, Roman Abramovich - outro dos chamados oligarcas russos.
Kia presidiu a MSI, empresa com sede em Londres que mantinha um contrato de parceria com o Sport Club Corinthians Paulista. Em 2004, a MSI contratatou os jogadores argentinos Carlitos Tevez, Javier Mascherano, Sebá Domínguez, o chileno Johnny Herrera, os brasileiros Roger, Carlos Alberto, Gustavo Nery, Marinho e Marcelo Mattos para atuar no time. Esses jogadores ficaram conhecidos pelos torcedores e pela imprensa como Galácticos e com eles o Corinthians foi Campeão Brasileiro em 2005. Em 2006, Kia tentou comprar o West Ham United, clube que em 2006 recebeu os atletas Carlos Tevez e Javier Mascherano, quando deixaram o Corinthians, após o clube ter sido eliminado da Copa Libertadores da América.
Diante do fracasso das negociações com o West Ham, Joorabchian tentou comprar a equipe do Fulham FC. Atualmente, Joorabchian ainda está envolvido em um imbroglio jurídico com o West Ham United FC, pelo passe de Tevez.
Em julho de 2007, o juiz da 6ª Vara da Justiça Federal de São Paulo, Fausto Martins Sanctis, acatou denúncia do Ministério Público e pediu a prisão de Kia Joorabchian, de Boris Berezovski e do diretor de finanças da MSI, Nojan Bedroud; também o presidente do Corinthians, Alberto Dualib, o vice-presidente Nesi Curi, o advogado Alexandre Verri e Renato Duprat foram denunciados pelo MP, por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Os bens da MSI no Brasil foram congelados, o que a impede de realizar qualquer transação bancária.
Em 24 de julho de 2007, o Corinthians anunciou oficialmente o fim da parceria com a MSI.
Joorabchian atualmente trabalha como agente de jogadores. As últimas notícias dizem que Joorabchian estaria disposto a pagar 50 milhões de libras para adquirir a equipe britânica Southampton. Ainda é amigo de Tevez e segundo o site esportivo Olé, é próximo ao Manchester City, atual clube do jogador argentino.
Em 19 de agosto de 2008, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, STF, em decisão liminar, suspendeu a ordem de prisão contra Kia Joorabchian, que dirigia a MSI na época em que a empresa foi parceira do Sport Club Corinthians Paulista. O pedido de habeas corpus, liminarmente deferido, foi formulado ao Supremo Tribunal Federal pelo advogado Roberto Podval, do escritório Podval, Rizzo, Mandel, Antun, Indalecio e Advogados.
A ordem de prisão contra Joorabchian havia sido emitida pela 6ª Vara Criminal da 1ª Subseção Judiciária do Estado de São Paulo. Com a decisão do ministro Celso de Mello, não há qualquer ordem de prisão contra Kia.
Fonte: Wikipédia
Jim Riordan - "Entrar no jogo" (2006)
" O caso que melhor ilustra a estratégia da MSI é o de Nuno Assis. Um dos médios mais talentosos de Portugal, Assis, foi transferido do Vitória de Guimarães para o Benfica em Janeiro de 2005 — aparentemente, tratava-se de uma transferência normal entre dois clubes portugueses. Contudo, a taxa de transferência de 600 000 euros foi paga pela MSI, que seguidamente transferiu o seu registo para o Dínamo de Moscovo; por seu turno, o Dínamo emprestou Assis ao Benfica.
O agente por detrás do negócio foi Jorge Mendes, director executivo da Gestifute, a empresa envolvida em quase todas as mais importantes transferências de futebolistas portugueses nos últimos anos (incluindo a do treinador Mourinho para o Chelsea). Além de receber a percentagem normal pelas transferências dos jogadores (Ronaldo, Postiga, Viana, etc.), a Gestifute faz dinheiro ao comprar e vender percentagens dos valores de transferência dos jogadores.
Embora a Gestifute e a MSI sejam entidades separadas, a sua forte ligação comercial sugere que este poderá muito bem ser o modo de operação da MSI, através da qual os magnatas russos investem na especulação em torno dos «futuros dos jogadores». Este mecanismo, no sentido em que representa a entrada no mercado de forças radicalmente novas, poderá implicar uma mudança dramática no mercado de transferências tradicional."
«Entrar no jogo»: pela Rússia, pelo dinheiro e pelo poder
Pini Zahavi em entrevista - 26/11/2006
Jamie Jackson - Terça-feira, 26 de Novembro de 2006 - Observer Sport Monthly
Certa tarde, na última semana de outubro, Pini Zahavi foi a uma reunião no Les Ambassadeurs, um cassino e clube privê em Mayfair, Londres. No restaurante do clube, ele discutiu negócios com Kia Joorabchian, empresário iraniano que está encabeçando uma proposta de controle do West Ham. Na mesa à frente deles estavam telefones celulares, faxes, agendas e uma bandeja de chocolates belgas.
Zahavi é o primeiro e único super-agente do futebol, e ele e seu sócio fumavam roliços charutos cubanos enquanto discutiam os detalhes do prolongado controle. Durante toda a tarde, Zahavi atendeu chamadas em seus dois celulares, alternando, fluentemente, entre seu hebraico nativo, o português, o alemão e o inglês, enquanto discutia futuras viagens e negócios. 'Talvez se eles trouxerem €15 milhões de euros para o River Plate, mas o preço vai subir', ele falou em um dos telefonemas, antes de sorrir e ofertar a breve biografia de um emergente jogador argentino. Joorabchian, entretanto, mencionou o 'presidente do Benfica' e perguntou quantos assentos Zahavi necessitaria para o jogo do Arsenal com CSKA Moscow, pela Liga dos Campeões, essa semana.
Ao contrário da noção que prevalece, de que falta transparência nos negócios financeiros do futebol e que estes são orquestrados por empresários secretos, a dupla estava relaxada e desprotegida. Durante todo o tempo que passei com eles, Zahavi foi gentil, bem-humorado e franco. Quando Carlos Alberto, o goleador brasileiro que ganhou a Liga dos Campeões, sob o comando de José Mourinho, no Porto, chegou para a reunião, Zahavi deixou-o esperando enquanto continuávamos a conversar.
Sua explicação para dar a esta revista sua primeira entrevista importante foi simplesmente: 'Gostei do som de sua voz no telefone. Esta é a forma pela qual julgo as pessoas. E você e eu somos parecidos, porque eu também fui um jornalista'.
É novembro de 1981 e a seleção de Israel está em Belfast, preparando-se para o jogo de classificação para a Copa do Mundo contra a Irlanda do Norte. Zahavi, então um jornalista esportivo do Yedioth Ahronoth, maior jornal de Israel, está sentado em uma cama no seu quarto de hotel, fumando o charuto obrigatório. No quarto com ele está Yossi Melman, também na cidade para ver a partida como correspondente de Londres, para o Ha'aretz, um jornal Israelense.
'Yossi', Zahavi diz, 'quero que você aprenda uma lição da minha história. Minha forma de trabalhar é a cada quatro ou cinco anos mudar de um jornal para outro'. Antes de trabalhar no Yedioth, Zahavi, então com 36 anos, tinha trabalhado para o Hadashot Hasport, um jornal de esportes, antes de sair após a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental. Depois desta conversa de 1981, ele trabalhou no Yedioth por mais quatro anos, antes de mudar para um outro periódico chamado somente Hadashot; ele finalmente encerrou sua carreira como jornalista em 1988.
Melman resumiu a história. 'Hadashot Hasport era muito, muito popular em Israel. Pini me contou, "Yossi, se você se mudar de um lugar para outro, você recebe compensação e um salário melhor". Então eu perguntei a ele, "Você está interessado em ganhar dinheiro"? Ele me olhou e disse, "Naturalmente. Eu não quero permanecer como um probre correspondente de esportes"! Pini estava rindo e rindo e rindo...’
Zahavi, desde então, certamente ganhou dinheiro. Um sócio próximo acredita que ele tem mais que o suficiente, pelo menos £65milhões de libras, 'o que permite a ele se aposentar com um estilo de vida muito confortável. Porém, ele ama o trabalho'.
Pini Zahavi é um promotor do futebol por excelência, o homem que pode começar, negociar e finalizar qualquer negócio, seja para um jogador, clube ou agente, seja o que for, grande ou pequeno. Ele deve ter os melhores contatos no esporte. 'Sim, tenho conexões muito, muito boas', diz sorrindo 'porque eu nunca desapontei ninguém no mundo. E o que eu faço, faço honestamente e sem nenhuma fraude. Digo o que eu quero dizer'.
O crescimento de Zahavi coincidiu com a transformação do futebol no fenômeno global que é hoje. A riqueza dos jogos, influência e poder foram impelidos pela expansão da Copa do Mundo e pela criação da Liga dos Campeões, e o aumento enorme das transmissões por televisão e renda de patrocínios, que transformou as ligas nacionais e fizeram da Premier League inglesa a mais rica no mundo.
Ele esteve envolvido em alguns incidentes bem discutíveis recentemente, tais como a tranferência de £30 milhões de libras, de Rio Ferdinand do Leeds United para o Manchester United, em 2002 e as reuniões secretas com representantes do Chelsea envolvendo Sven-Goran Eriksson, em julho de 2003, e Ashley Cole, em janeiro de 2005. Ferdinand mudou entre dois ferozes rivais, para a fúria dos fãs do Leeds; Eriksson era o técnico da Inglaterra, contudo, permitiu-se ser cortejado pelo Chelsea, quando encontrou Roman Abramovich, seu novo proprietário; e Cole, o lateral esquerdo da Inglaterra, estava cumprindo contrato com o Arsenal e proibido de negociar com outros clubes quando ele e seu agente se encontraram com o técnico José Mourinho e Peter Kenyon, o diretor-geral do Chelsea.
Contudo, não importa o que aconteça, Zahavi sempre desponta incólume. Ele está registrado como um agente em Israel, então foi fora da jurisdição da Associação Inglesa de Futebol. Enquanto Kenyon, Jonathan Barnett, agente de Cole, Mourinho e o Chelsea foram todos punidos depois que sua reunião tornou-se pública, a FA e a Premier League estavam impedidas de investigar a participação de Zahavi. Agora, a FA alterou seus estatutos para precaver-se contra estes acontecimentos novamente, e pediu que a Fifa investigasse o papel de Zahavi no incidente.
Zahavi - cujos amigos incluem Ehud Olmert, Primeiro-Ministro de Israel, e Reuven Rivlin, um ex-porta voz do parlamento de Israel, o Knesset, e um possível futuro presidente, tem diversificado seus interesses recentemente. Junto com Eli Azur, o proprietário de vários jornais russos em Israel, ele possui a Charlton, uma empresa de mídia que detém os direitos de transmissão dos jogos da Premier League, assim como das partidas domésticas do divisão principal de Israel (embora sua popularidade nos torneios locais tenha caído num primeiro momento, quando a temporada da Copa do Mundo foi transmitida na televisão paga).
Em 2003, Zahavi ajudou a trazer Roman Abramovich para o Chelsea. Ele foi apresentado a Abramovich há dois anos, em Moscou, por um amigo em comum e a amizade foi consolidada quando ele convidou o bilionário para assistir um jogo da Liga dos Campeões, entre o Manchester United e o Real Madri, em abril de 2003, dois meses antes do oligarca comprar o Chelsea.
Zahavi era o favorito para fazer este negócio se concretizar. Ele era influente, além do mais, tinha ascendência sobre os novos jogadores que chegaram ao clube na temporada. Estima-se que ele tenha ganho algo em torno de £5milhões de libras, dos £111milhões de libras que o clube investiu em atletas nesta temporada. A chegada de Abramovich ao futebol inglês gerou acusações que sua bizarra riqueza (os gastos com transferências do Chelsea alcançaram £441.5milhões de libras) desequilibrou o esporte inglês e europeu.
Em janeiro passado, Zahavi ajudou Alexandre Gaydamak a comprar o Portsmouth. Alexandre, ou Sacha, é filho de Arkady Gaydamak, um oligarca exilado, nascido na agora independente Ucrânia, que possui o Beitar de Jerusalém.
Então, em agosto, Zahavi apresentou ao futebol inglês o negócio tripartite, antes que os clubes bretões comprassem jogadores, como os internacionais argentinos Carlos Tevez e Javier Mascherano, trazidos ao West Ham num negócio sensacional. Isto foi facilitado pela Media Sports Investment - MSI, uma companhia antes encabeçada por Joorabchian e para a qual Zahavi age como corretor. A iniciativa de empresas comprarem jogadores tem sido, disse-me Zahavi, prática corrente na América do Sul 'por mais de 25 anos' e vai se tornar aqui também 'se o futebol inglês quiser sobreviver'.
Zahavi é único consultor do Hero Football Fund, até esta temporada. Os membros do comitê incluem David Elleray, antigo árbitro da Premier League, e QC David Griffith-Jones, especialista em direito desportivo. Isto ajuda a levantar £100milhões de libras de fontes privadas para adquirir os direitos comerciais dos jogadores. Este, disse Zahavi, é um dos muitos esquemas nos quais ele está envolvido, embora a MSI seja a mais visível. Em 2004, a MSI comprou o controle acionário do Corinthians, do Brasil, num negócio de 10 anos, o qual levou Tevez e Mascherano, que foram comprados, respectivamente, 100% e 50% pela MSI, para o clube de São Paulo em uma jogada combinada de £23milhões de libras (a TV Globo, uma companhia brasileira de televisão, adquiriu os outros 50% de Mascherano) comprando-os de seus clubes argentinos, Boca Juniors e River Plate. Apesar de algum sucesso em campo, eles nunca se fixaram no Brasil e agora estão no West Ham, onde eles jogam.
Quais são as vantagens dos jogadores de propriedade tripartilhada? Um empresário próximo de Tevez e Mascherano acredita que 'os jogadores não se interessam por quem os compra, clube ou empresas privadas, desde que eles (clubes ou empresas) tomem conta deles'. A mudança de Tevez do Boca Juniors para o Corinthians foi agenciada por Fernando Hidalgo, um agente argentino, sócio de Zahavi em sua empresa Haz Sports, que é sediada em Buenos Aires.
A transferência de Tevez e Mascherano para o West Ham, acredita-se nada ter custado ao clube londrino a não ser a taxa agencial de £5milhões de libras. Porém, há uma cláusula no negócio estipulando que o West Ham é obrigado a vendê-los se alguma oferta for feita pelos dois atletas nos próximos 5 anos. Em contrapartida, se o West Ham desejar ficar com os jogadores, deverá pagar £40milhões de libras. Isto é opção de compra, o contrário da cláusula comum de compra e venda, num contrato que estabelece que um jogador deve ser vendido, se um valor é recebido diante de um montante acordado.
Zahavi não é acionista da MSI; sabe-se que a empresa pertence a Badri Patarkatsishvili, um bilionário georgiano, proprietário do Dínamo Tbilissi, que é apoiado de alguma forma pelo oligarca russo Boris Berezovsky, que atualmente vive em Londres. Zahavi agiu como agente do West Ham no negócio que trouxe os argentinos para Londres e, portanto, deverá ser pago pelo seu trabalho, da mesma forma que Abramovich, ao comprar o Chelsea.
Numa época de globalização que importa se um clube é adquirido por interesses estrangeiros? Ou um jogador por três sócios? Jimmy Hill, envolvido em esportes por mais de 50 anos como jogador, técnico, administrador e operador de mídia, acredita que esquemas como os do Hero Fund, de Zahavi, assim como o crescimento dos oligarcas, são bons enquanto deixam dinheiro suficiente para manter os clubes solventes. 'De uma forma estranha os fãs vão protestar sobre o que está acontecendo, por causa de suas expectativas irrealistas de que seus clubes devem sempre estar ganhando', disse-me ele.
No entanto, Gordon Taylor, diretor geral da Professional Footballers' Association (Associação de Jogadores de Futebol Profissonal), é, previsivelmente, contra a prática de propriedade tripartida. 'É como negociar seres humanos', diz. 'E é desestabilizante forasteiros terem interesses financeiros em atletas’.
Kevin Roberts, que é diretor editorial do SportBusiness, uma respeitada revista mensal, concorda. 'É um perigo que jogadores nunca façam parte, adequadamente, do clube, sejam mais como água escorrendo. Sob o ponto de vista financeiro, um clube nunca possui verdadeiramente o jogador e, da mesma forma, não se beneficia quando ele vai embora outra vez'.
'O futebol mudou muito. Nas décadas de 1970 e 80, pelo menos no começo das temporadas, havia uma noção de que mais clubes teriam chance de conquistar os títulos. Agora, eu não estou tão seguro. Quando o Arsenal venceu o Manchester United no início desta temporada, nós estávamos somente na quarta rodada e as pessoas viviam dizendo que se eles perdessem seu desafio, ia virar um transtorno. E esta tinha sido somente sua segunda derrota na temporada. O que o dinheiro de Roman Abramovich fez foi elevar o nível muito além do que havia, enquanto no futebol o elemento chave é a competição'.
Porém, Dan Jones, um analista financeiro de futebol de uma filial municipal da Deloitte And Touche, diz: 'Propriedade tripartilhada já acontece aqui. Quando Danny Shittu estava no Queens Park Rangers, ele foi negociado em três partes (o fã Alex Winton comprou-o por £250,000 libras e também pagou seu salário durante a sua primeira temporada), É uma dificuldade para os investidores porque eles não podem obrigar seu jogador a fazer algo e há também a incerteza sobre quão bom ele poderá se tornar'.
Zahavi, entretanto, não se arrepende. 'O jogador de futebol quer pertença a uma empresa ou a empresários, continua integrado ao clube, porque a Fifa regula os direitos federativos, o registro pertence ao clube. Uma pessoa ou empresa só pode possuir os direitos econômicos. Se uma companhia compra os direitos sobre um jogador e ele vai jogar pelo West Ham, ou qualquer outro clube, então, quando ele é vendido, metade ou uma parte qualquer do pagamento, conforme o caso, é transferido ao proprietário dos direitos econômicos.
Zahavi acredita que Gordon Taylor, como muitos no futebol inglês, está simplesmente temeroso com esta mudança. Há xenofobia, também. “Tem havido uma campanha aqui contra os forasteiros e eu sou uma vítima disto”, disse-me ele. “Na Inglaterra eles não entendem absolutamente nada disso. É mais fácil comprar um jogador no qual você não tem segurança, por £10 milhões de libras se você está dividindo o risco com um parceiro. Agora, se o jogador se torna um craque e é vendido por £30 milhões de libras, então, naturalmente, você pode se sentir estúpido por possuir apenas metade do ganho. Mas, se o jogador se torna simplesmente comum, ou um fracasso, e não consegue ser vendido, você dirá: "Fantástico, o desastre não foi só meu.” Isso é exatamente o que acontece.
Zahavi concluíu seu primeiro negócio como agente em 1979, quando estava trabalhando como jornalista: a transferência do israelense Avi Cohen do Maccabi Tel Aviv para o Liverpool, por £200,000 libras. 'Não era como agora' disse ele. 'Naquele tempo eu simplesmente gostava de futebol. Mas, esse negócio me mostrou como você pode ganhar dinheiro com o jogo. Acho que este foi o verdadeiro começo dos agentes.'
O negócio envolve sorte, porém sublinha o encanto e o pensamento rápido de Zahavi. 'Eu costumava ir ao futebol, na Inglaterra, com Reuven Rivlin, a cada quatro semanas', disse. 'Um dia, ficamos retidos no aeroporto de Heathrow por causa do mau tempo. Eu vi Peter Robinson, secretário do Liverpool, e lhe falei: "Por que você não dá uma olhada num bom jogador Israelense, Avi Cohen"? Eles enviaram seu “olheiro” Tom Saunders para observá-lo e logo Avi foi para a Inglaterra para fazer um teste. Bob Paisley, então treinador do Liverpool, gostou dele. Assinamos'.
Cohen lembra o que aconteceu. 'Eu conheci Pini, do Yedioth', contou-me. 'Todos os sábados ele transmitia os jogos do Maccabi e ele escreveu algo sobre mim'. Como ele descreveria Zahavi? 'Ele é muito amigável. Eu lidei com ele por vários anos. É honesto, e é bom de conversa. Mas, em Israel, ele não é alguém que quer estar sempre nos jornais. Ele não é uma estrela. As pessoas não sabem quem Pini Zahavi realmente é. Sabem que ele trabalhou no futebol durante anos, mas isso é tudo'. Cohen voltou para o Maccabi em 1981, antes de jogar sob o controle de Graeme Souness, um amigo próximo de Zahavi, no Rangers, em 1987.
Levaria um tempo surpreendentemente longo até que Zahavi fizesse seu próximo negócio notável, a transferência em 1990 do goleador israelense Ronnie Rosenthal do Standad Liege para o Liverpool. 'Eu estava indo bem na negociação com Luton, mas eles não podiam pagar o preço', Rosenthal disse agora. 'Voltei para a Bélgica e Pini conversou com Kenny Dalglish, então técnico do Liverpool.'
Por que demorou tanto para que Zahavi completasse seu próximo grande negócio? 'Eu ainda era um jornalista', contou ele. 'E não havia nenhum jogador Israelense que eu pudesse vender a equipes estrangeiras. Estava sob ataques constantes de outros jornalistas e então parei de atuar como agente por alguns anos, para meu pesar. Muitos jornalistas são negociantes: com dinheiro, com pessoas e com notícias. Mas, fui atacado porque fiz de forma aberta'.
Durante a décade de 1980 ele assiduamente fez contatos. Organizou encontros internacionais amigáveis em Israel. Souness, então capitão do Liverpool, e Dalglish, foram convidados para passar um feriado em Eilat e 'voltaram todos os verões'. E, exibindo um toque mais suave, Zahavi levaria os alaranjados Israelenses a Melwood, campo de treinamento do Liverpool, dos jogadores e do pessoal.
Depois do negócio de Rosenthal a influência de Zahavi começou a crescer, especialmente na América do Sul, onde, entre outros, ele representava o goleador Chileno Marcelo Salas, que interessava ao Manchester United. Ele, porém, apontou o negócio que levou o meio de campo Israelense, Eyal Berkovic, do Southampton para o West Ham em 1997, como um dos mais importantes, porque foi aí que Zahavi notou o jovem Rio Ferdinand. 'Quando eu o vi soube no mesmo instante que ele poderia ser o melhor, na sua posição. Ele tinha tudo'.
Zahavi tornou-se seu agente. Hoje, Ferdinand é o jogador mais bem pago do Manchester United, ganhando algo em torno de £110,000 de libras por semana, do clube, e muitos milhões mais em luvas. No ano passado, Ferdinand foi fotografado num restaurante de Londres com Zahavi e Peter Kenyon, do Chelsea, na época de renovação de seu contrato com o United. Zahavi descreve o encontro como 'totalmente inocente'.
Pini Zahavi nasceu em 1955 em Nes Ziona, um pequeno povoado, localizado a 20 milhas a sudeste de Tel Aviv, com uma população estimada ao redor de 10.000 habitantes, que desde então, triplicou de tamanho. O filho de um lojista, Zahavi (que tem duas irmãs mais velhas e um irmão, um bem-sucedido cirurgião cardíaco) concluiu o jardim de infância e o ensino fundamental com Jacob Shahar, agora, presidente do Maccabi Haifa.
Shahar continua um grande amigo. No mês passado, ele e Zahavi sentaram-se junto com Sven-Goran Eriksson, durante uma partida do Haifa, inevitavelmente incitando especulações de que o sueco estava em posição de assumir o lugar de Alan Pardew, como técnico do West Ham. 'Nós jogamos futebol juntos, quando garotos, no centro de esportes de Nes Ziona', contou Shahar sobre Zahavi. 'Era nossa paixão. Porém, ainda muito jovem, Pini quis escrever.'
Zahavi diz: 'Futebol foi meu amor desde que eu era um bebê. Eu joguei pela equipe local e a treinei seu time juvenil por dois anos, antes de me alistar no exército.' Zahavi tinha 22 anos quando iniciou, sua jornada de oito anos no Hadashot Hasport, antes de se mudar para o Yedioth Ahronoth. 'Quando me juntei a eles, tinham apenas duas colunas esportivas, mas eu fiz três páginas, depois seis, então nove', contou-me numa conversa anterior, antes de nós encontrarmos. 'Era principalmente sobre futebol. O esporte não era o mesmo, mas durante os anos 70s, foi gradualmente ganhando em influência.'
Shaul Isenberg, um colega de Hadashot Hasport, lembra o compromisso de Zahavi com o trabalho. 'Pini era um jornalista excelente, um dos melhores. E era muito impetuoso. Sua atitude era de trabalhar 26 horas por dia, você entende o que eu quero dizer, sair da cama duas horas cedo. Se eu me surpreendi com o seu sucesso? Não. Para mim, desde o começo, ele foi uma grande estrela.'
Zahavi, que é viúvo e tem duas crianças, começou a fazer contatos mais importantes durante a Copa do Mundo de 1974. “O torneio me ajudou muito. Foi quando eu começei a conhecer pessoas e construir amizades.” Por volta da década de 1990, sua lista de contatos tinha se tornado extensa. Graeme Souness, Kenny Dalglish, Terry Venables e Ron Atkinson são amigos próximos, assim como 90% dos técnicos da Inglaterra. A próxima geração é ainda mais chegada. “Eles não me vêem como um ex-jornalista, mas como um rapaz que entende de futebol. Construí amizades fortes com muitos jogadores e nós nos tornamos como irmãos. Na Inglaterra, enquanto eu emergia, havia técnicos que nada sabiam sobre jogadores europeus. Você nem sequer consegue encontrar os resultados das outras ligas européias nos jornais. Era uma ilha deserta e eles não podiam deixar de se importar com o esporte mundial. Eu era capaz de ajudar a mudar atitudes.”
Zahavi tem escritório em Tel Aviv e, apesar da sua fortuna, vive modestamente, de acordo com amigos, num apartamento litorâneo de £200,000 libras, no norte da cidade. Aluga um flat em Marble Arch, centro de Londres, onde a sua amizade com Alex Ferguson está celebrada num quadro que retrata os dois se abraçando, que está colocado sobre a lareira de sua sala de estar.
Zahavi viaja continuamente. Durante uma conversa ele falou sobre as viagens para a Ucrânia e para a América do Sul, e, quando nos encontramos, ele estava planejando ainda obter mais milhas aéreas. Questionado sobre se ele tem qualquer outro interesse, ele simplesmente diz: “Nenhum outro além do futebol, eu nem sequer assisto outros esportes. Eu não tenho interesse em nada mais. É só futebol, futebol, futebol.”
Quando conversamos pela última vez, ele estava de volta a Tel Aviv, e pareceu mais tenso do que antes, talvez porque a tentativa do controle acionário do West Ham não estava funcinando como planejado. Seus interesses comerciais são como labirintos. Ele tem uma empresa sediada em Gibraltar, Global Sports Agency (GSA), que negocia em grande parte com Portugal e com o sul da Europa e tentou um negócio semelhante ao do Corinthians com um clube polaco, KSP Warszawa.
Há uma rede de olheiros e sócios trabalhando para ele ao redor do mundo, notadamente na África, que ele considera ser “a zona mais importante do futebol. Eu não acho que a Europa produzirá muitos novos jogadores. Os grandes virão da África e da América do Sul, que é o porquê de minha grande dedicação ao Brasil e à Argentina.”
Zahavi não tem nenhum pesar sobre a chegada de Abramovich à Inglaterra. “O que era o Chelsea antes da vinda de Roman?” Ele perguntou, retoricamente. Faltavam dois dias para decretação da falência. A situação era um desastre. O diretor geral à época, Trevor Birch, veio e realmente implorou. “Ajuda-me”, disse ele. “Nós não podemos pagar os salários.” Agora, o Chelsea é uma das melhores equipes do mundo. E isso graças ao dinheiro de Roman Abramovich.
“Portsmouth estava a caminho do rebaixamento, não para a primeira divisão, mas para a segunda, ou para a terceira. Agora, estão indo bem. Porque, eu fiz coisas terríveis! Não, tudo que eu fiz foi conseguir trazer alguém que colocasse seu próprio dinheiro no clube. Mostre-me um clube na Inglaterra que trabalhe somente com ingleses, que não seja um negócio. Naturalmente, um clube de futebol é um negócio que serve à comunidade, mas, ainda assim, é um negócio. Quando o jogador conversa com o técnico sobre salário é dito a ele, "Desculpe-nos, mas não podemos pagar isso. Não se esqueça que nós estamos administrando um negócio". Sempre dizem isso. Essa é a razão pela qual se alguém disser que não é um negócio, ele acaba de mentir.”
Ele dá uma pausa. Agora, finalmente, está na hora do seu compromisso com Carlos Alberto, no bar do Les Ambassadeurs. Acende um novo charuto e aperta a mão calorosamente. “Observe o West Ham”, diz, incapaz de me deixar ir embora. “Porque se o rapaz que eu convenci a investir seu dinheiro, Eli Papouchado, um magnata israelense da hotelaria, entrar, eu prometo a você que, embora eles estejam agora lutando na liga, eles estarão OK. Investidores não se importam com quem possui o clube. Eles só se preocupam com o desempenho da equipe. É o mesmo no Japão, na Coréia, na Argentina, na Colômbia, na África, em toda parte.”
Zahavi sorri outra vez. E está acompanhado de Joorabchian, Carlos Alberto e um amigo identificado só como “Boris” - mas não é o oligarca Berezovsky. Por tudo que eu sei, Zahavi pode ter se juntado mais tarde com Abramovich ou Papouchado, Gaydamak ou Patarkatsishvili, para degustar uma garrafa de Cristal ou para jogar um blackjack ou uma roleta, no andar de cima, no salão privativo de jogos. Qualuer coisa parece possível no mundo de Pini Zahavi, e sua influência não parece ter limites.
(The Guardian, 26/11/2006)

